{"id":9854,"date":"2026-03-05T07:30:47","date_gmt":"2026-03-05T07:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9854"},"modified":"2026-03-05T10:37:36","modified_gmt":"2026-03-05T10:37:36","slug":"8-de-marco-pede-mudancas-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9854","title":{"rendered":"8 de Mar\u00e7o pede mudan\u00e7as reais"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-dia-internacional-das-mulheres-reforca-o-compromisso-global-com-direitos-equidade-e-acesso-a-ciencia-em-um-cenario-ainda-marcado-por-retrocessos-e-desafios-estruturais\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>O Dia Internacional das Mulheres refor\u00e7a o compromisso global com direitos, equidade e acesso \u00e0 ci\u00eancia em um cen\u00e1rio ainda marcado por retrocessos e desafios estruturais.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Dia Internacional das Mulheres de 2026 chega com um chamado direto e urgente: garantir direitos iguais, justi\u00e7a efetiva e a\u00e7\u00e3o concreta para todas as mulheres e meninas. Em um mundo em que nenhuma na\u00e7\u00e3o conseguiu eliminar as lacunas legais entre homens e mulheres, a data ganha intensidade renovada. Hoje, elas possuem apenas 64% dos direitos legais reconhecidos aos homens, um desequil\u00edbrio que atravessa fronteiras, culturas e sistemas jur\u00eddicos, e que revela o tamanho do desafio global.<\/p>\n<p>Ao iniciarmos o segundo quarto do s\u00e9culo XXI, normas sociais prejudiciais, legisla\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias e pr\u00e1ticas arraigadas mant\u00eam mulheres e meninas em desvantagem sistem\u00e1tica. O cen\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o grave que, mantido o ritmo atual, seriam necess\u00e1rios 286 anos para eliminar as lacunas de prote\u00e7\u00e3o legal em escala global. A estimativa \u00e9 mais do que um alerta: \u00e9 o retrato de uma desigualdade estrutural que se recusa a retroceder. A data de 8 de mar\u00e7o, portanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 celebra\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O tema escolhido pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para este ano, \u201cDireitos. Justi\u00e7a. A\u00e7\u00e3o. Para TODAS as mulheres e meninas\u201d, destaca a urg\u00eancia de trabalhar pela aplica\u00e7\u00e3o real das leis, e n\u00e3o apenas por sua exist\u00eancia formal. Justi\u00e7a igualit\u00e1ria significa educa\u00e7\u00e3o garantida, fim do casamento infantil, acesso ao trabalho, liberdade para participar da vida p\u00fablica e prote\u00e7\u00e3o robusta contra a viol\u00eancia de g\u00eanero. Significa que direitos, antes de serem conceitos abstratos, precisam ser vividos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-violencia-fisica-psicologica-moral-e-sexual-impacta-milhoes-de-brasileiras-e-apesar-dos-avancos-legais-denunciar-ainda-e-um-ato-marcado-por-medo-falta-de-acolhimento-e-estruturas-insu\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, moral e sexual impacta milh\u00f5es de brasileiras, e, apesar dos avan\u00e7os legais, denunciar ainda \u00e9 um ato marcado por medo, falta de acolhimento e estruturas insuficientes de prote\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil e no mundo, a luta feminista contempor\u00e2nea enfrenta um conjunto complexo de desafios. Embora as conquistas acumuladas sejam consider\u00e1veis, a desigualdade salarial permanece, com mulheres brasileiras ganhando em m\u00e9dia 22% a menos que homens \u2014 uma defasagem que se acentua para mulheres negras, ind\u00edgenas e de territ\u00f3rios perif\u00e9ricos. A sub-representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 outra barreira persistente: apenas uma fra\u00e7\u00e3o das cadeiras legislativas e dos cargos de chefia em empresas \u00e9 ocupada por mulheres.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia de g\u00eanero segue como uma das maiores crises sociais do pa\u00eds. A cada sete horas, uma mulher \u00e9 v\u00edtima de feminic\u00eddio. A viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, moral e sexual impacta milh\u00f5es de brasileiras, e, apesar dos avan\u00e7os legais, denunciar ainda \u00e9 um ato marcado por medo, falta de acolhimento e estruturas insuficientes de prote\u00e7\u00e3o. O enfrentamento desse problema passa por pol\u00edticas p\u00fablicas, educa\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as profundas na cultura. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"foto-rovena-rosa-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9857\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig1-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig1-300x202.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig1-768x517.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig1-800x539.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig1.jpg 990w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n(Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro desafio silencioso, mas determinante, \u00e9 a dupla jornada: mulheres dedicam cerca de dez horas semanais a mais do que homens \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas, o que afeta diretamente sua sa\u00fade mental, seu crescimento profissional e seu acesso a oportunidades. O peso dessa carga n\u00e3o \u00e9 apenas individual \u2014 \u00e9 estrutural, e exige pol\u00edticas que incentivem divis\u00e3o justa do trabalho e responsabilidades familiares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mulheres-na-ciencia\">Mulheres na ci\u00eancia<\/h4>\n<p>No campo da ci\u00eancia, as barreiras s\u00e3o igualmente preocupantes. Mulheres representam cerca de um ter\u00e7o dos pesquisadores no mundo, mas ocupam apenas 2% das posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a em ci\u00eancia e tecnologia na Am\u00e9rica Latina. A disparidade salarial chega a 18%, e o avan\u00e7o na carreira costuma desacelerar ap\u00f3s a maternidade, fen\u00f4meno conhecido como \u201ctesoura acad\u00eamica\u201d. Al\u00e9m disso, meninas seguem afastadas de \u00e1reas estrat\u00e9gicas como tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica. Ao mesmo tempo, cresce o movimento global para desnaturalizar o dom\u00ednio masculino na ci\u00eancia. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9858\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig2-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig2-300x158.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig2-768x403.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig2-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig2-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DC-\u2013-Dia-das-Mulheres-fig2.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"foto-marcos-santos-usp-imagens-reproducao\" style=\"text-align: center;\">(Foto: Marcos Santos\/USP Imagens. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ciencia-para-mulheres\">Ci\u00eancia para mulheres<\/h4>\n<p>A presen\u00e7a de mulheres em laborat\u00f3rios, congressos, publica\u00e7\u00f5es e cargos de lideran\u00e7a ajuda a romper estere\u00f3tipos antigos e inspira novas gera\u00e7\u00f5es. Pr\u00eamios e iniciativas que visibilizam trajet\u00f3rias femininas, como programas de mentoria e redes de apoio entre pesquisadoras, t\u00eam ampliado oportunidades e valorizado a diversidade na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>A tecnologia tamb\u00e9m se tornou aliada na luta por equidade. Aplicativos e sistemas baseados em intelig\u00eancia artificial ajudam a monitorar casos de viol\u00eancia e prevenir feminic\u00eddios, enquanto o pr\u00f3prio desenvolvimento tecnol\u00f3gico passa a incluir mais mulheres em posi\u00e7\u00f5es de cria\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o \u2014 algo essencial para combater vieses algor\u00edtmicos que historicamente reproduzem desigualdades de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia produz avan\u00e7os diretos para a sa\u00fade, a tecnologia e a economia. A aus\u00eancia de mulheres em estudos cl\u00ednicos, por exemplo, historicamente gerou diagn\u00f3sticos imprecisos e tratamentos inadequados. A pesquisa voltada \u00e0 sa\u00fade da mulher \u2014 da sa\u00fade reprodutiva \u00e0s doen\u00e7as negligenciadas \u2014 depende diretamente da presen\u00e7a de pesquisadoras que tragam perspectivas diversas e experi\u00eancias concretas para o centro do debate.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-2026-portanto-o-dia-internacional-das-mulheres-reforca-uma-verdade-incontornavel-o-futuro-da-ciencia-da-justica-e-das-politicas-publicas-precisa-ser-diverso-para-ser-eficaz\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm 2026, portanto, o Dia Internacional das Mulheres refor\u00e7a uma verdade incontorn\u00e1vel: o futuro da ci\u00eancia, da justi\u00e7a e das pol\u00edticas p\u00fablicas precisa ser diverso para ser eficaz.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2026, portanto, o Dia Internacional das Mulheres refor\u00e7a uma verdade incontorn\u00e1vel: o futuro da ci\u00eancia, da justi\u00e7a e das pol\u00edticas p\u00fablicas precisa ser diverso para ser eficaz. Barreiras estruturais ainda limitam o acesso das mulheres \u00e0s oportunidades, mas movimentos globais, redes de apoio e a\u00e7\u00f5es institucionais mostram que avan\u00e7os s\u00e3o poss\u00edveis quando h\u00e1 compromisso coletivo.<\/p>\n<p>Enquanto o mundo se re\u00fane na pr\u00f3xima sess\u00e3o da Comiss\u00e3o sobre a Situa\u00e7\u00e3o das Mulheres, de 9 a 19 de mar\u00e7o, a mensagem \u00e9 clara: sem justi\u00e7a igualit\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 dignidade plena; sem direitos aplicados, n\u00e3o h\u00e1 igualdade real; sem a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 futuro. O 8 de Mar\u00e7o de 2026 \u00e9 um chamado profundo para que sociedades, governos e institui\u00e7\u00f5es se comprometam com mudan\u00e7as concretas \u2014 e para que todas as mulheres e meninas possam viver em um mundo onde a igualdade n\u00e3o seja promessa, mas realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-freepik-reproducao\">Capa: Freepik. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Dia Internacional das Mulheres refor\u00e7a o compromisso global com direitos, equidade&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9855,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9854"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9854"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9854\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9859,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9854\/revisions\/9859"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}