{"id":9903,"date":"2026-03-26T07:30:30","date_gmt":"2026-03-26T07:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9903"},"modified":"2026-03-16T14:02:01","modified_gmt":"2026-03-16T14:02:01","slug":"transformando-fisica-em-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9903","title":{"rendered":"Transformando f\u00edsica em m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"com-quanta-gilberto-gil-usa-a-fisica-quantica-para-dizer-que-ciencia-se-insemina-na-sociedade\"><strong><span style=\"color: #808080;\">Com &#8220;Quanta&#8221;, Gilberto Gil usa a f\u00edsica qu\u00e2ntica para dizer que Ci\u00eancia se insemina na sociedade<\/span><\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como fazer as pessoas olharem para aquilo que nem o olho nu v\u00ea? Para estudiosos da f\u00edsica qu\u00e2ntica, este \u00e9 um dos principais desafios: trazer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o os seus estudos e, consequentemente, difundir o entendimento daquilo que n\u00e3o est\u00e1 presente no dia a dia. Muitos se utilizam da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como forma de aproximar o universo qu\u00e2ntico da sociedade, principalmente com a expans\u00e3o de elementos gr\u00e1ficos e tecnol\u00f3gicos. Mas h\u00e1 aproximadamente 30 anos, o cantor Gilberto Gil utilizou outra forma: fez da qu\u00e2ntica poesia musical.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado originalmente em abril de 1997, o \u00e1lbum \u201cQuanta\u201d n\u00e3o se trata apenas de uma explica\u00e7\u00e3o da f\u00edsica qu\u00e2ntica, mas sim uma homenagem \u00e0 Ci\u00eancia na forma de arte, como o pr\u00f3prio artista declama em suas faixas.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9906\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanto-fig1-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanto-fig1-300x300.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanto-fig1-150x150.jpg 150w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanto-fig1-12x12.jpg 12w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanto-fig1-80x80.jpg 80w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanto-fig1.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\nFigura 1. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este tributo j\u00e1 come\u00e7a na primeira can\u00e7\u00e3o, que compartilha o mesmo t\u00edtulo do \u00e1lbum. Com Milton Nascimento, Gil inicia cantando: \u201cQuanta do latim, plural de quantum \/ quando quase n\u00e3o h\u00e1 quantidade que se medir, quantidade que se expressar \/ fragmento infinit\u00e9simo, quase que apenas mental\u201d. Trazendo uma calma melodia acompanhada de um viol\u00e3o e acordes sonoros pontuais, a m\u00fasica caminha o ouvinte a um universo m\u00ednimo, pequeno, mas pulsante.<\/p>\n<p>J\u00e1 na faixa seguinte, \u201cCi\u00eancia e arte\u201d, a homenagem perde os elementos de bossa nova e ganha os batuques dos sambas-enredo, como uma comemora\u00e7\u00e3o acalorada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica brasileira. \u201cTu \u00e9s meu Brasil em toda parte \/ Quer na ci\u00eancia ou na arte \/ portentoso e altaneiro\u201d, diz a can\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m comemora \u201cgrandes imortais\u201d, como o romancista Pedro Am\u00e9rico e o f\u00edsico C\u00e9sar Lattes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mas-ha-aproximadamente-30-anos-o-cantor-gilberto-gil-utilizou-outra-forma-fez-da-quantica-poesia-musical\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cMas h\u00e1 aproximadamente 30 anos, o cantor Gilberto Gil utilizou outra forma: fez da qu\u00e2ntica poesia musical.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQuanta\u201d, de certa forma, atua como a pr\u00f3pria F\u00edsica, misturando elementos e gerando f\u00f3rmulas novas. Traz astrologia e cita refer\u00eancias a religi\u00f5es de matrizes africanas, como umbanda e candombl\u00e9, ao mesmo tempo em que possui uma faixa intitulada \u201c\u00c1gua benta\u201d, com men\u00e7\u00f5es ao catolicismo. Ainda apresenta representa\u00e7\u00f5es da integra\u00e7\u00e3o entre conhecimentos tradicionais e acad\u00eamicos, como a concep\u00e7\u00e3o da p\u00edlula de alho \u2013 que assina o t\u00edtulo de uma m\u00fasica e \u00e9 respons\u00e1vel por benef\u00edcios imunol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>O \u00e1lbum tamb\u00e9m carrega alguns dos maiores sucessos da carreira de Gil e que, n\u00e3o ironicamente, permeiam universos de estudos. A primeira can\u00e7\u00e3o \u00e9 a rom\u00e2ntica \u201cEstrela\u201d, que emociona na primeira estrofe: \u201cH\u00e1 de surgir uma estrela no c\u00e9u cada vez que &#8216;oc\u00ea sorrir\u201d. J\u00e1 a segunda m\u00fasica aproveita uma das principais inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do s\u00e9culo, a internet. No samba \u201cPela internet\u201d, Gil pega as principais refer\u00eancias da navega\u00e7\u00e3o online dos anos 1990, como e-mail e f\u00f3runs: \u201cCriar meu web site, fazer minha homepage. Com quantos gigabytes se faz uma jangada e um barco que veleje?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>Em uma<span style=\"color: #800000;\"> <strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1997\/4\/09\/ilustrada\/34.html\">entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo<\/a><\/strong><\/span> na \u00e9poca do lan\u00e7amento de \u201cQuanta\u201d, Gil disse que o \u00e1lbum foi criado para ser uma ponte entre o campo m\u00e1gico e o campo da f\u00edsica \u2013 algo que conseguiu com maestria. \u201c\u00c9 uma leitura po\u00e9tica sobre a Ci\u00eancia e sobre suas interfaces com a filosofia, religi\u00e3o e arte\u201d, complementou.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9905\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanta-fig2-209x300.jpg\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanta-fig2-209x300.jpg 209w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanta-fig2-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/quanta-fig2.jpg 684w\" sizes=\"(max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/>Figura 2. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na conversa, o cantor tamb\u00e9m explicou que se tratou de um de seus \u00e1lbuns mais dif\u00edceis. \u201cPelo tempo de produ\u00e7\u00e3o de \u201cQuanta\u201d exemplifica isso: <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2020\/04\/17\/discos-para-descobrir-em-casa-quanta-gilberto-gil-1997.ghtml\">Gil entrou em est\u00fadio em julho de 1995<\/a><\/strong><\/span> e o lan\u00e7amento do \u00e1lbum s\u00f3 se deu cerca de dois anos depois.<\/p>\n<p>Assim como a Ci\u00eancia, em que tudo \u00e9 feito com base em evid\u00eancias, at\u00e9 a estrutura de \u201cQuanta\u201d possui refer\u00eancias. A divis\u00e3o em dois discos foi pensada para ilustrar os conceitos opostos e complementares de Yin e Yang, extra\u00eddos da filosofia chinesa. Enquanto o primeiro disco \u00e9 carregado de manifestos alegres e festivos, o segundo preza a calmaria. Mas ambos expandindo a mesma mensagem, o mesmo tributo ao fazer acad\u00eamico.<\/p>\n<p>\u00c9 no come\u00e7o do segundo disco, inclusive, que h\u00e1 outra men\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia. Parceria escrita com o cantor Arnaldo Antunes, \u201cA ci\u00eancia em si\u201d, reflete: \u201cA ci\u00eancia n\u00e3o se ensina, a ci\u00eancia insemina\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quanta-de-certa-forma-atua-como-a-propria-fisica-misturando-elementos-e-gerando-formulas-novas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201c\u2018Quanta\u2019, de certa forma, atua como a pr\u00f3pria f\u00edsica, misturando elementos e gerando f\u00f3rmulas novas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como um \u00e1lbum de homenagens, a ci\u00eancia divide palco com honrarias a grandes nomes da m\u00fasica brasileira. \u201cDe Ouro e Marfim\u201d \u00e9 dedicada a Tom Jobim; \u201cSala do Som\u201d a Milton Nascimento; \u201cUm Abra\u00e7o no Jo\u00e3o\u201d para Jo\u00e3o Gilberto; e \u201cO Mar e o Lago\u201d \u00e9 um tributo a M\u00e1rio Lago. Gil tamb\u00e9m afirmou que o \u00e1lbum, de forma geral, \u00e9 dedicado a C\u00e1ssia Eller, Zeca Pagodinho e Chico Science.<\/p>\n<p>Ouvir \u201cQuanta\u201d ap\u00f3s cerca de 30 anos de seu lan\u00e7amento \u00e9 tamb\u00e9m entender contrapontos com a produ\u00e7\u00e3o musical dos dias de hoje. Enquanto a ind\u00fastria atual nos impacta com can\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas em formatos solos, como singles, cujas dura\u00e7\u00f5es s\u00e3o reduzidas cada vez mais, Gil nos presenciou com um \u00e1lbum extremamente estruturado, extenso e linear.<\/p>\n<p>Apreciar \u201cQuanta\u201d na sua sequ\u00eancia de m\u00fasicas \u00e9 entender mensagens complementando, de um pa\u00eds de diferentes culturas, religi\u00f5es e pensamentos. \u00c9 entender que o conhecimento inspira e deve, sim, ocupar cada vez mais espa\u00e7os \u2013 mel\u00f3dicos ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c1lbum: Quanta<\/p>\n<p>Artista: Gilberto Gil<\/p>\n<p>Lan\u00e7amento: abril de 1997<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/gilbertogil.com.br\/noticias\/producoes\/detalhes\/quanta\/\">Ou\u00e7a o \u00e1lbum no site oficial do artista<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-divulgacao\">Capa: Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com &#8220;Quanta&#8221;, Gilberto Gil usa a f\u00edsica qu\u00e2ntica para dizer que Ci\u00eancia&hellip;\n","protected":false},"author":12,"featured_media":9904,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,865],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9903"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9903"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9903\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9950,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9903\/revisions\/9950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}