{"id":9911,"date":"2026-03-16T08:30:40","date_gmt":"2026-03-16T08:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9911"},"modified":"2026-03-13T18:31:25","modified_gmt":"2026-03-13T18:31:25","slug":"a-musica-como-construcao-de-identidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9911","title":{"rendered":"A m\u00fasica como constru\u00e7\u00e3o de identidades"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"ritmos-memorias-e-pertencimentos-revelam-como-sons-ajudam-a-definir-quem-somos-individual-e-coletivamente\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Ritmos, mem\u00f3rias e pertencimentos revelam como sons ajudam a definir quem somos \u2014 individual e coletivamente.<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muito al\u00e9m do entretenimento, a m\u00fasica ocupa um papel central na constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural. Ela funciona como um espelho que reflete as ra\u00edzes, os valores e a hist\u00f3ria de diferentes povos, al\u00e9m de atuar como um poderoso mecanismo de coes\u00e3o social. Ao mesmo tempo em que expressa experi\u00eancias individuais, a m\u00fasica preserva mem\u00f3rias coletivas e ajuda a construir sentidos compartilhados de pertencimento. Em diferentes contextos sociais, ela revela modos de vida, tens\u00f5es e afetos que atravessam comunidades e gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pesquisas nas \u00e1reas de sociologia, antropologia e estudos culturais mostram que a escuta e a pr\u00e1tica musical contribuem para moldar identidades relacionadas a g\u00eanero, ra\u00e7a, territ\u00f3rio, juventudes e religiosidades. Nesse processo, a m\u00fasica atua como um marcador social que articula mem\u00f3ria, pol\u00edtica e formas de exist\u00eancia. Ao circular entre diferentes contextos e grupos, os sons produzem encontros e misturas culturais que tamb\u00e9m geram novas identidades. \u201cEssas trocas musicais constroem produtos h\u00edbridos que v\u00e3o gerar tamb\u00e9m identidades h\u00edbridas\u201d, explica Ana Guiomar, professora da Escola de M\u00fasica e Artes C\u00eanicas da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG).<\/p>\n<p>A ideia de que a m\u00fasica constr\u00f3i identidades significa reconhecer que ela n\u00e3o apenas reflete experi\u00eancias sociais, mas participa ativamente da sua forma\u00e7\u00e3o. Can\u00e7\u00f5es e ritmos ajudam a definir v\u00ednculos afetivos, criar refer\u00eancias simb\u00f3licas e estabelecer fronteiras culturais entre grupos. Parte dessa for\u00e7a vem da diversidade de linguagens musicais e da amplitude de possibilidades expressivas que a m\u00fasica oferece. \u201cA m\u00fasica oferece uma variedade imensa de possibilidades expressivas de g\u00eaneros, de ritmos, de \u00e9pocas e instrumentos e maneiras de tocar esses instrumentos\u201d, afirma Leonardo Fuks, professor de Ac\u00fastica Musical da Escola de M\u00fasica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). \u201cEssa capacidade de inclus\u00e3o que a m\u00fasica proporciona \u00e9 um grande elemento para esse carisma que a m\u00fasica tem\u201d, diz.<\/p>\n<p>No Brasil, a associa\u00e7\u00e3o entre g\u00eaneros musicais, corpos, ra\u00e7as e territ\u00f3rios tamb\u00e9m revela desigualdades hist\u00f3ricas. Ao longo do tempo, certos estilos foram associados a grupos sociais espec\u00edficos e, muitas vezes, estigmatizados por sua origem popular ou perif\u00e9rica. Ainda assim, artistas e comunidades t\u00eam transformado essas marcas em pot\u00eancia cultural. Ritmos nascidos nas periferias urbanas, por exemplo, frequentemente se tornam ferramentas de afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, orgulho coletivo e reconhecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>Quando determinados sons desaparecem do espa\u00e7o p\u00fablico, parte dessas experi\u00eancias tamb\u00e9m se perde. A m\u00fasica revela dimens\u00f5es da sociedade que frequentemente escapam aos discursos institucionais, trazendo \u00e0 tona conflitos, resist\u00eancias e modos de vida que atravessam o cotidiano. Para o pesquisador Pa\u00edque Duques Santar\u00e9m, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e membro do N\u00facleo de Bras\u00edlia do INCT Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles, essa capacidade de conectar diferen\u00e7as \u00e9 uma das for\u00e7as mais marcantes da m\u00fasica: \u201cA m\u00fasica \u00e9 um universo muito grande e a identidade \u00e9 um universo muito grande. Assim, a m\u00fasica tem esse potencial de fortalecer as nossas conex\u00f5es, mesmo que sejamos pessoas aparentemente muito distintas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo completo!<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A m\u00fasica como constru\u00e7\u00e3o de identidades\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XMMmJHm792A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ritmos, mem\u00f3rias e pertencimentos revelam como sons ajudam a definir quem somos&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":9912,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9911"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9911"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9911\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9914,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9911\/revisions\/9914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9912"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}