{"id":9937,"date":"2026-03-23T07:55:59","date_gmt":"2026-03-23T07:55:59","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9937"},"modified":"2026-03-16T14:03:50","modified_gmt":"2026-03-16T14:03:50","slug":"sons-em-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=9937","title":{"rendered":"Sons em transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"como-os-formatos-de-audio-moldaram-a-forma-de-produzir-ouvir-e-compartilhar-musica-ao-longo-de-mais-de-um-seculo\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Como os formatos de \u00e1udio moldaram a forma de produzir, ouvir e compartilhar m\u00fasica ao longo de mais de um s\u00e9culo<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nunca se produziu tanta m\u00fasica quanto hoje. Estimativas baseadas em relat\u00f3rios da <a href=\"https:\/\/www.luminategroup.com\/home\/pt\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Luminate<\/span><\/strong><\/a> (antiga Nielsen Music) indicam que mais de 120 mil faixas finalizadas s\u00e3o enviadas diariamente para a plataforma Spotify. Esse n\u00famero representa apenas o resultado de um processo muito mais amplo: antes de chegar ao p\u00fablico, cada m\u00fasica passa por diversas etapas \u2014 demos, pr\u00e9-masters, stems e revis\u00f5es \u2014 envolvendo artistas, t\u00e9cnicos de som, produtores, gravadoras e equipes de divulga\u00e7\u00e3o. No conjunto, isso significa milh\u00f5es de arquivos de \u00e1udio circulando diariamente entre est\u00fadios, computadores e plataformas digitais.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desses arquivos acompanha a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da m\u00fasica gravada. Em termos gerais, um formato de \u00e1udio \u00e9 o meio utilizado para registrar e reproduzir sons, seja em suportes f\u00edsicos, seja em arquivos digitais. Ao longo do tempo, diferentes tecnologias buscaram tornar o som mais port\u00e1til, acess\u00edvel e f\u00e1cil de distribuir.<\/p>\n<p>Parte dessa evolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m esteve ligada aos interesses da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. \u201cBoa parte da hist\u00f3ria da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica \u00e9 esse controle sobre as m\u00fasicas e, ao mesmo tempo, controle sobre a forma pela qual essa m\u00fasica \u00e9 gravada, prensada e distribu\u00edda. Ent\u00e3o, dentro da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, \u00a0depois de d\u00e9cadas com os discos de 78 rpm, \u00a0nos anos 40 \u00e9 lan\u00e7ado o LP \u2013 e nos anos 60 a fita cassete, nos anos 80 o CD. Ent\u00e3o \u00e9 a ind\u00fastria que tem esse controle sobre essa troca de formatos e vai sempre vender esses objetos que cont\u00eam as m\u00fasicas sobre as quais ela tamb\u00e9m tem a propriedade\u201d, afirma Eduardo Vicente, professor da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.eca.usp.br\/\"><strong>Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA-USP)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 150 anos, avan\u00e7os cient\u00edficos transformaram radicalmente as formas de registrar o som. No in\u00edcio, o processo baseava-se na f\u00edsica mec\u00e2nica, gravando vibra\u00e7\u00f5es em sulcos de discos. \u201cA primeira grande mudan\u00e7a se deu com o lan\u00e7amento comercial de grava\u00e7\u00f5es, por volta da entrada do s\u00e9culo XX. Escutar m\u00fasica passou a n\u00e3o mais depender de uma performance ao vivo no mesmo espa\u00e7o do ouvinte, e tornou-se uma experi\u00eancia essencialmente auditiva\u201d, explica Sergio Freire, professor da Escola de M\u00fasica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/\"><strong>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/strong><\/a> <\/span>e coordenador do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/musica.ufmg.br\/lapis\/projects\/\"><strong>Laborat\u00f3rio de Performance com Sistemas Interativos (LaPIS)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-gente-nao-tem-apenas-um-outro-equipamento-ou-uma-outra-tecnologia-a-gente-tambem-tem-uma-outra-vivencia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA gente n\u00e3o tem apenas um outro equipamento ou uma outra tecnologia. A gente tamb\u00e9m tem uma outra viv\u00eancia.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A eletr\u00f4nica, posteriormente, permitiu converter o som em sinais el\u00e9tricos e amplific\u00e1-los. As fitas magn\u00e9ticas ampliaram as possibilidades de edi\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o, enquanto a era digital passou a tratar o \u00e1udio como dados processados por computadores. Nesse processo, n\u00e3o mudam apenas os equipamentos, mas tamb\u00e9m a experi\u00eancia de escuta. \u201cA gente n\u00e3o tem apenas um outro equipamento ou uma outra tecnologia. A gente tamb\u00e9m tem uma outra viv\u00eancia\u201d, observa Jalver Beth\u00f4nico, professor da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.eba.ufmg.br\/\"><strong>Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/strong><\/a><\/span>.<\/p>\n<p>Para Sergio Freire, a converg\u00eancia de tecnologias mec\u00e2nicas, el\u00e9tricas e eletr\u00f4nicas tamb\u00e9m criou aparelhos muito interessantes e eficientes. \u201cNo campo do \u00e1udio, acredito que a palavra-chave ainda seja transdu\u00e7\u00e3o (que de certa maneira pressup\u00f5e sinais anal\u00f3gicos ac\u00fasticos, el\u00e9tricos ou magn\u00e9ticos, dentre outros), presente tanto nas etapas que captam os sons quanto nas etapas que \u2018reproduzem\u2019 o conte\u00fado presente nos diferentes formatos por meio de alto-falantes\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"do-cilindro-ao-disco\">Do cilindro ao disco<\/h4>\n<p>Durante s\u00e9culos, a m\u00fasica s\u00f3 existia como experi\u00eancia ao vivo. A cria\u00e7\u00e3o da partitura, no s\u00e9culo XV, permitiu preservar composi\u00e7\u00f5es, mas ainda dependia de int\u00e9rpretes. A tentativa de registrar o pr\u00f3prio som come\u00e7ou no s\u00e9culo XIX, com o fonoaut\u00f3grafo, criado em 1857 pelo inventor franc\u00eas \u00c9douard-L\u00e9on Scott de Martinville, capaz de registrar visualmente ondas sonoras, mas n\u00e3o as reproduzir.<\/p>\n<p>A virada ocorreu em 1877, quando Thomas Edison apresentou o fon\u00f3grafo, primeiro dispositivo capaz de gravar e reproduzir \u00e1udio. O aparelho registrava vibra\u00e7\u00f5es sonoras em cilindros rotativos por meio de uma agulha conectada a uma membrana. Os primeiros cilindros, feitos de folha de estanho, eram fr\u00e1geis e podiam ser reproduzidos apenas algumas vezes, mas inauguraram a possibilidade de ouvir novamente um som gravado. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-cilindros-rotativos-de-thomas-edson-foto-sergio-freire-musee-des-ondes-emile-berliner-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9940\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-800x450.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-1160x653.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-1-scaled.jpg 2560w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Cilindros rotativos de Thomas Edson.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Sergio Freire. <a href=\"https:\/\/moeb.ca\/en\/\">Mus\u00e9e des Ondes Emile Berliner<\/a>. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que um avan\u00e7o t\u00e9cnico, o fon\u00f3grafo transformou a experi\u00eancia sonora. \u201cQuando Thomas Edison cria o fon\u00f3grafo, ele inaugura algo que \u00e9 a portabilidade do som. O som transcende a sua execu\u00e7\u00e3o, ele transcende no tempo e no espa\u00e7o. E \u00e9 muito engra\u00e7ado esse surgimento: um dos primeiros an\u00fancios do Edison coloca dez vantagens do fon\u00f3grafo \u2013 s\u00f3 a d\u00e9cima \u00e9 ouvir m\u00fasica. Todas as outras s\u00e3o algo bem pr\u00f3ximo a um \u00e1lbum de fotografia da fam\u00edlia, passar recado para secret\u00e1ria, escrever ou transcrever as \u00faltimas palavras do morto\u201d, explica Jalver Beth\u00f4nico. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-o-fonografo-revolucionou-a-forma-de-ouvir-musica-foto-sergio-freire-musee-des-ondes-emile-berliner-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9941\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-169x300.jpg 169w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-576x1024.jpg 576w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-768x1365.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-864x1536.jpg 864w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-1152x2048.jpg 1152w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-7x12.jpg 7w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-800x1422.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-1160x2062.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura-2-scaled.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. O fon\u00f3grafo revolucionou a forma de ouvir m\u00fasica.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Sergio Freire. <a href=\"https:\/\/moeb.ca\/en\/\">Mus\u00e9e des Ondes Emile Berliner<\/a>. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poucos anos depois, em 1887, o inventor alem\u00e3o Emile Berliner apresentou o gramofone, que substituiu os cilindros por discos planos, formato que se tornaria dominante na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-reinado-do-vinil\">O reinado do vinil<\/h4>\n<p>Em 1948, a ind\u00fastria musical passou por uma nova transforma\u00e7\u00e3o com o lan\u00e7amento do LP (<em>long play<\/em>) pela Columbia Records. Produzido em policloreto de vinila, o novo disco substituiu materiais mais fr\u00e1geis, como a goma-laca usada nos discos de 78 rpm.<\/p>\n<p>Com sulcos microsc\u00f3picos gravados em espiral, o vinil permitia armazenar v\u00e1rias faixas em um \u00fanico disco, consolidando o conceito de \u00e1lbum musical. A tecnologia tamb\u00e9m introduziu a grava\u00e7\u00e3o em microssulcos, ampliando o tempo de reprodu\u00e7\u00e3o. \u201cCom o vinil voc\u00ea tem o surgimento do LP. Antes disso, os discos 78 rpm tinham apenas uma m\u00fasica de cada lado; no in\u00edcio, inclusive, o disco s\u00f3 tinha um lado. Ent\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s do vinil que voc\u00ea vai poder vender todo um conjunto de m\u00fasicas do mesmo artista, e n\u00e3o apenas uma m\u00fasica isolada\u201d, explica Eduardo Vicente.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas, o vinil continua a atrair colecionadores e entusiastas interessados na est\u00e9tica do formato f\u00edsico e no som anal\u00f3gico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-revolucao-das-fitas\">A revolu\u00e7\u00e3o das fitas<\/h4>\n<p>A tecnologia de grava\u00e7\u00e3o em fita magn\u00e9tica come\u00e7ou a se consolidar no final dos anos 1940, quando o engenheiro John T. Mullin apresentou o sistema nos Estados Unidos. Um dos principais apoiadores foi o cantor e ator Bing Crosby, que passou a utiliz\u00e1-lo para gravar previamente seu programa de r\u00e1dio. \u201cA fita magn\u00e9tica port\u00e1til (cassete) foi um formato lan\u00e7ado nos anos 60 que, al\u00e9m de permitir a realiza\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es caseiras e de copiar discos, tornou poss\u00edvel carregar a m\u00fasica dos LPs para a rua e para os ve\u00edculos\u201d, diz Sergio Freire. (<strong>Figura 3<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-fita-cassete-tornou-se-um-fenomeno-global-entre-as-decadas-de-1970-e-1990-foto-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-9942\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-300x180.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-768x461.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-800x480.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3-1160x696.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/CC-1E26-reportagem-formatos-de-audio-figura3.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Fita cassete tornou-se um fen\u00f4meno global entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1990.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apresentada em 1963 pela Philips, a fita cassete tornou-se um fen\u00f4meno global entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1990. Al\u00e9m da portabilidade, o formato trouxe novas possibilidades de uso dom\u00e9stico. \u201cUma mudan\u00e7a muito grande do cassete foi a portabilidade e, al\u00e9m disso, foi a possibilidade de editar o pr\u00f3prio material. Isso foi muito legal: eu podia fazer a minha pr\u00f3pria colet\u00e2nea, podia gravar do r\u00e1dio\u201d, explica Jalver Beth\u00f4nico.<\/p>\n<p>As fitas tamb\u00e9m ampliaram a circula\u00e7\u00e3o da m\u00fasica independente. \u201cDistribuir m\u00fasica, gravar e prensar vinis n\u00e3o era barato. Ent\u00e3o, a partir da\u00ed tamb\u00e9m foi poss\u00edvel para um artista independente distribuir seus trabalhos nessas fitas, que eram colocadas em consigna\u00e7\u00e3o em lojas de disco e livrarias. Ela se tornou um outro espa\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o no meio urbano para pessoas que n\u00e3o estavam nas gravadoras\u201d, afirma Eduardo Vicente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-era-digital-do-cd\">A era digital do CD<\/h4>\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica ganhou for\u00e7a no in\u00edcio dos anos 1980 com o <em>compact disc<\/em> (CD), desenvolvido pela Sony e pela Philips e lan\u00e7ado comercialmente em 1982. Capaz de armazenar cerca de 70 minutos de \u00e1udio, o novo formato substituiu gradualmente o vinil e as fitas cassete.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-os-ouvintes-nao-ha-duvidas-que-a-distribuicao-digital-de-musicas-representa-um-avanco-muito-grande-quando-comparada-aos-modelos-anteriores\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara os ouvintes n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que a distribui\u00e7\u00e3o digital de m\u00fasicas representa um avan\u00e7o muito grande, quando comparada aos modelos anteriores.&#8221; <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diferentemente dos suportes anal\u00f3gicos, o CD armazena o som como dados digitais, convertendo o sinal sonoro em sequ\u00eancias de n\u00fameros bin\u00e1rios. Durante a reprodu\u00e7\u00e3o, um laser l\u00ea pequenas depress\u00f5es microsc\u00f3picas no disco, transformando essas informa\u00e7\u00f5es novamente em som. A praticidade do formato impulsionou sua r\u00e1pida ado\u00e7\u00e3o mundial. Nos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000, os CDs dominaram o mercado, consolidando o que muitos especialistas descrevem como uma verdadeira \u201cditadura do CD\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"musica-em-fluxo-o-streaming\">M\u00fasica em fluxo: o streaming<\/h4>\n<p>A partir do final do s\u00e9culo XX, o avan\u00e7o da internet abriu caminho para uma nova transforma\u00e7\u00e3o na forma de ouvir m\u00fasica. O <em>streaming<\/em> \u2014 modelo que permite acessar conte\u00fado online sem download \u2014 come\u00e7ou a se desenvolver nos anos 1990 e ganhou for\u00e7a nas d\u00e9cadas seguintes, impulsionado pela expans\u00e3o da banda larga e dos dispositivos m\u00f3veis.<\/p>\n<p>\u201cPara os ouvintes n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que a distribui\u00e7\u00e3o digital de m\u00fasicas representa um avan\u00e7o muito grande, quando comparada aos modelos anteriores (discos, fitas, r\u00e1dio, etc.). Isto se insere em um contexto muito mais amplo de representa\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o digital de boa parte das atividades humanas, que compartilham as mesmas redes\u201d, pontua Sergio Freire.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"em-termos-de-futuro-gostaria-mesmo-e-de-pensar-em-uma-ciencia-e-uma-arte-que-escapem-ao-menos-parcialmente-da-logica-da-mercadoria-e-da-concentracao-de-recursos-em-cada-vez-menos-maos-82\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEm termos de futuro, gostaria mesmo \u00e9 de pensar em uma ci\u00eancia e uma arte que escapem, ao menos parcialmente, da l\u00f3gica da mercadoria e da concentra\u00e7\u00e3o de recursos em cada vez menos m\u00e3os.&#8221; <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um marco dessa transi\u00e7\u00e3o foi o formato MP3, que permitiu comprimir arquivos de \u00e1udio e facilitar seu compartilhamento online. Com isso, a m\u00fasica deixou de estar necessariamente associada a um suporte f\u00edsico e passou a circular como informa\u00e7\u00e3o digital entre diferentes dispositivos. \u201cNa entrada do s\u00e9culo XXI, as plataformas de streaming transformam o conceito de formato de \u00e1udio, at\u00e9 ent\u00e3o ligado a um objeto f\u00edsico palp\u00e1vel, para diferentes tipos de arquivos digitais. O crescimento de pequenos est\u00fadios, viabilizado pela tecnologia digital, tamb\u00e9m afeta o modo de produ\u00e7\u00e3o musical at\u00e9 ent\u00e3o predominante\u201d, afirma Sergio Freire.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, esse cen\u00e1rio traz novos desafios. \u201cH\u00e1 uma perda de aten\u00e7\u00e3o, uma perda da informa\u00e7\u00e3o de escuta no streaming, que conta um pouco com isso. N\u00f3s nos tornamos piores ouvintes\u201d, observa Jalver Beth\u00f4nico. Ainda assim, o pesquisador destaca o potencial criativo da tecnologia: \u201cA digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental: o poder de manipula\u00e7\u00e3o do som que adquirimos a baixo custo pela digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 fenomenal.\u201d<\/p>\n<p>O futuro dos formatos de \u00e1udio, no entanto, pode n\u00e3o depender apenas de novas tecnologias, mas tamb\u00e9m de novos modos de circula\u00e7\u00e3o cultural. \u201cEm termos de futuro, gostaria mesmo \u00e9 de pensar em uma ci\u00eancia e uma arte que escapem, ao menos parcialmente, da l\u00f3gica da mercadoria e da concentra\u00e7\u00e3o de recursos em cada vez menos m\u00e3os. Talvez a \u2018m\u00fasica ao vivo\u2019 possa oferecer subs\u00eddios para novos formatos de \u00e1udio com um maior aproveitamento de recursos locais e com menos elementos culturais ultraprocessados\u201d, conclui Sergio Freire.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-diferentes-tecnologias-buscaram-tornar-o-som-mais-portatil-acessivel-e-facil-de-distribuir-e-revolucionaram-a-forma-de-ouvir-musica-foto-freepik-reproducao\"><strong>Capa. Diferentes tecnologias buscaram tornar o som mais port\u00e1til, acess\u00edvel e f\u00e1cil de distribuir &#8211; e revolucionaram a forma de ouvir m\u00fasica.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Freepik. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como os formatos de \u00e1udio moldaram a forma de produzir, ouvir e&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":9938,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9937"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9937"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9937\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9944,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9937\/revisions\/9944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/9938"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}