À frente do Instituto Serrapilheira desde sua criação, em 2017, o geneticista francês Hugo Aguilaniu tornou-se uma das principais vozes da filantropia científica no Brasil. Sob sua liderança, a instituição consolidou um modelo de apoio à ciência baseado no financiamento de pesquisas de risco, no estímulo à inovação nos mecanismos de fomento e no fortalecimento da comunicação científica.
Nascido em Grenoble, na França, Aguilaniu formou-se em agronomia na Universidade de Bordeaux e concluiu o doutorado em genética molecular na Universidade de Chalmers, na Suécia. Realizou pós-doutorado no Salk Institute, nos Estados Unidos, onde estudou os mecanismos biológicos do envelhecimento. Entre 2006 e 2017, atuou como pesquisador e, posteriormente, diretor científico do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), na França, liderando um laboratório dedicado à biologia do envelhecimento na École Normale Supérieure de Lyon.
Ao longo da carreira, manteve colaborações com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), recebeu a Medalha de Bronze do CNRS e uma bolsa do European Research Council (ERC). Entre 2020 e 2025, integrou também o Conselho Curador da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Nesta entrevista, Aguilaniu reflete sobre os desafios do financiamento científico, o papel da filantropia na produção de conhecimento e a importância crescente da comunicação pública da ciência.
O Serrapilheira nasceu com uma proposta pouco comum no Brasil: financiar ciência básica, apoiar projetos arriscados e investir também em divulgação científica. Que diagnóstico sobre o sistema científico brasileiro motivou esse desenho institucional?
Hugo Aguilaniu — O diagnóstico era que o sistema de financiamento brasileiro não fomentava o risco. Não é uma crítica a uma instituição específica, mas à lógica do sistema como um todo. Ele foi construído para que o país publique bastante, não necessariamente de maneira arrojada ou arriscada. Isso está relacionado à forma como pesquisadores são reconhecidos e financiados. Na prática, o sistema valoriza mais a quantidade do que a qualidade. E cientistas, como qualquer ser humano, respondem a incentivos. Como o Serrapilheira nasceu como uma iniciativa privada e diferente, não faria sentido reproduzir o que já existia. Para nós, isso seria um fracasso. Por isso, a aposta no risco.
No caso da divulgação científica, a motivação foi simples: praticamente não havia financiamento para essa atividade. Existiam recursos para que cientistas divulgassem suas próprias pesquisas, mas não havia apoio estruturado para a comunicação científica fora das instituições de pesquisa. A percepção dos fundadores era que falar de ciência era tão importante quanto fazer ciência. Hoje talvez eu vá além: provavelmente é mais importante falar sobre ciência do que fazer ciência. Uma das razões pelas quais atravessamos um momento tão difícil é justamente a nossa dificuldade de comunicar a ciência adequadamente.
“Uma das razões pelas quais atravessamos um momento tão difícil é justamente a nossa incapacidade de comunicar a ciência adequadamente.”
O instituto costuma dizer que quer “fertilizar o solo da ciência”. Na prática, o que isso significa?
HA — “Fertilizar o solo da ciência” é uma expressão bonita, mas também um pouco romântica, que representava mais o Serrapilheira em sua fase inicial. Ela tem relação com o próprio nome Serrapilheira, mas, objetivamente, não acho que tenhamos capacidade de fazer isso de maneira sistêmica. O que fazemos é financiar projetos específicos de pesquisadores. Mas, cada vez mais, pensamos que nossa função não é apenas essa. Como não temos porte para mudar o sistema científico brasileiro, queremos propor modelos de financiamento diferentes dos que já existem e testá-los.
Honestamente, ainda não exploramos isso o suficiente. Quando uma instituição está começando, precisa ganhar credibilidade. E, para ganhar credibilidade, você precisa mostrar que sabe fazer bem o que todos fazem. Mas isso não é ousadia. Por isso, temos pensado cada vez mais em inovar nos modelos de financiamento, criar mecanismos que realmente surpreendam e, mais importante, avaliá-los criticamente. Esse é um papel que poucas instituições desempenham.
Você pode dar um exemplo desse tipo de experimento institucional?
HA — Um exemplo é o nosso bônus de diversidade. Quando concedemos um grant, parte dos recursos é condicionada à formação de pessoas pertencentes a grupos sub-representados. Gostamos muito desse mecanismo porque ele ajuda a aliviar a tensão entre mérito e diversidade. Já vimos casos de estudantes que foram beneficiários do bônus e depois alavancaram suas carreiras e conseguiram seus próprios financiamentos.
A pergunta que devemos fazer agora é: isso funciona ou não funciona? Para responder, precisamos de uma avaliação rigorosa, buscando garantir que estamos contribuindo da forma mais eficaz. É necessário comparar grupos que receberam o incentivo com grupos que não receberam, verificar se houve diferença real e medir os resultados. Essa abordagem de testar cientificamente os próprios mecanismos de financiamento é algo que uma organização como o Serrapilheira pode oferecer ao sistema científico.
É parecido com o que acontece em políticas públicas. Muitas ideias parecem boas em princípio, mas a pergunta é: elas produzem resultado? Só é possível saber testando. Como temos mais flexibilidade do que a maioria das instituições, podemos experimentar esse tipo de abordagem.
Estamos começando a fazer isso de maneira mais sistemática. Queremos publicar avaliações dos nossos próprios programas: bônus de diversidade, seleção de cientistas por chamadas públicas e outras iniciativas. Cada programa nasce com um objetivo específico, e hoje já dispomos de métricas relativamente simples para verificar se esses objetivos estão sendo alcançados.
O instituto experimenta formas menos burocráticas de financiamento e avaliação, apostando em processos mais flexíveis e em critérios que vão além dos indicadores tradicionais. O que vocês aprenderam ao desafiar modelos consolidados de fomento?
HA — Ainda estamos aprendendo, então é difícil dizer exatamente o que aprendemos. Mas uma coisa já sabemos: você pode reunir revisores da mais alta qualidade, pessoas brilhantes e acostumadas a produzir pesquisas arriscadas, e ainda assim, quando elas passam a avaliar coletivamente, tendem a se tornar mais conservadoras.
Temos feito de tudo para evitar esse efeito. Escolhemos cuidadosamente os revisores e acompanhamos de perto todos os painéis de avaliação. Esse fenômeno já é conhecido e está documentado na literatura, mas impressiona observar sua força na prática. Talvez montar painéis de revisores não seja, portanto, necessariamente o melhor processo de seleção de cientistas quando o objetivo é identificar e apoiar pesquisas de risco.
Outra lição importante é que as métricas tradicionais têm limitações evidentes. Indicadores como fator H e outros semelhantes não conseguem avaliar bem pesquisadores jovens. Tampouco conseguem captar se alguém está realmente assumindo riscos científicos.
Por sermos uma organização relativamente pequena, podemos fazer algo que muitas instituições não conseguem. Para cada pesquisador financiado há cinco anos, por exemplo, solicitamos avaliações individuais de especialistas da área. Os revisores não deliberam em grupo. Queremos entender se aquela pessoa está realmente transformando seu campo de pesquisa. Na maioria dos casos, a resposta é negativa — e isso é perfeitamente normal. São raríssimos os pesquisadores cuja ausência alteraria significativamente a trajetória de uma área inteira. Em dez anos, talvez eu consiga citar apenas dois ou três casos.
Isso nos leva a outra questão importante. Quando se trabalha com pesquisa de risco, o fracasso faz parte do processo. E nem sempre fracasso significa má ciência. Se avaliarmos nossos pesquisadores pelos critérios convencionais, eles costumam ter desempenho acima da média. Mas nosso interesse é outro.
Gostaríamos de construir um sistema capaz de renovar financiamentos não apenas com base nos resultados obtidos, mas na postura científica do pesquisador. Alguém pode não ter produzido o resultado esperado, mas demonstrar uma atitude genuinamente ousada e inovadora. Nesse caso, talvez valha a pena continuar investindo, porque acreditamos que assumir riscos faz parte da construção de descobertas relevantes. A dificuldade está em avaliar essa disposição para correr riscos.
“Gostaríamos de construir um sistema capaz de renovar financiamentos não apenas com base nos resultados obtidos, mas na postura científica do pesquisador.”
O contexto institucional brasileiro também dificulta a pesquisa de risco?
HA — Aprendemos que o contexto institucional influencia fortemente o comportamento dos pesquisadores. Em muitas regiões do país, fora do eixo Rio-São Paulo, a escassez de recursos cria incentivos opostos ao risco. Já vimos pesquisadores que recebem grants de até R$ 1 milhão e preferem preservar parte dos recursos como uma espécie de reserva para o futuro, em vez de utilizá-los integralmente no projeto. Eu compreendo essa lógica. Talvez eu fizesse o mesmo. Mas ela revela como ambientes marcados pela insegurança dificultam a tomada de riscos.
Quando você tem pouco ou teme ficar sem nada, é muito mais difícil apostar alto. Por isso, precisamos pensar em mecanismos que ofereçam segurança para que pesquisadores de qualquer região do país possam assumir riscos de verdade.
Queremos construir métricas diferentes para avaliar nossos pesquisadores. Mas há um desafio importante: se você afasta alguém dos critérios tradicionais por muito tempo, como essa pessoa volta a competir dentro do sistema convencional? Essa é uma questão complexa. Por isso, as discussões com outras fundações, agências e organizações são tão importantes. Não adianta uma instituição agir isoladamente. Caso contrário, corremos o risco de prejudicar justamente aqueles que queremos ajudar.
No Brasil, a Capes ocupa uma posição central nesse sistema de avaliação, embora ela própria faça parte de uma lógica internacional mais ampla. Se os critérios de avaliação dos programas mudassem, haveria um impacto estrutural enorme – e algumas adaptações importantes já vêm acontecendo nos últimos anos. É nesse nível que mudanças profundas realmente acontecem.
Além de apoiar pesquisadores, o Serrapilheira financia iniciativas de jornalismo e mídia, combate à desinformação e produção de dados sobre ciência. Por que fortalecer o ecossistema de comunicação científica é parte da missão de uma instituição dedicada ao fomento à pesquisa?
HA— Porque, como eu disse, começamos acreditando que comunicar ciência era tão importante quanto fazer ciência. Hoje, vemos como em certos contextos é ainda mais importante. O que estamos vendo não é apenas desinformação. Existe um movimento mais amplo de questionamento de qualquer forma de conhecimento. E isso atinge diretamente a ciência, cuja função é justamente produzir evidências e dados.
Hoje é possível perceber com clareza que há investimentos significativos, em diferentes partes do mundo, voltados a desacreditar a ciência ou reduzir sua credibilidade. A ciência incomoda porque produz evidências que nem sempre são desejáveis. Por isso, uma das primeiras atitudes de governos ou movimentos que rejeitam evidências costuma ser enfraquecer sistemas de monitoramento e produção de dados. Afinal, uma vez que o dado existe, ele pode ser debatido, mas não simplesmente ignorado.
No Brasil, casos como os do Inpe [cujos dados sobre aumento do desmatamento foram negados pelo Governo Bolsonaro] mostram como sistemas independentes de monitoramento podem se tornar alvo de contestação justamente porque produzem dados verificáveis.
Diante desse cenário, precisamos atuar em defesa da ciência. Não se trata apenas de divulgar descobertas porque elas são interessantes ou importantes. Trata-se de uma disputa concreta por espaço público, confiança e legitimidade. E isso exige investimento, estratégia e aprendizado contínuo.
Os recursos que o Serrapilheira destina à comunicação científica são pequenos diante da dimensão do desafio. São uma gota d’água no oceano. Por isso, buscamos trabalhar em parceria com outras fundações e organizações internacionais que enfrentam problemas semelhantes. Queremos aprender o que funciona, o que não funciona e por quê.
Hoje sabemos que essa agenda é estratégica. O que muitas vezes o público — e até parte da comunidade científica — não percebe é que o financiamento da ciência depende, em última instância, de pessoas que não são cientistas. São elas que decidem, direta ou indiretamente, quanto recurso público ou privado será destinado à pesquisa. Se essas pessoas não estiverem convencidas da importância da ciência, os recursos simplesmente deixam de existir. Isso vale para qualquer país.
Se a confiança pública na ciência depende da comunicação, explicar como a ciência funciona — seus métodos, incertezas e processos de validação — é parte da solução?
HA — É claro que compreender o processo científico é importante, e isso faz parte da educação. Mas não tenho certeza de que a divulgação científica deva apostar principalmente em ensinar como a ciência funciona. Não estou convencido de que isso, por si só, seja suficiente.
Os movimentos anticiência conseguiram semear incertezas sobre temas que antes pareciam consensuais: vacinas, mudanças climáticas, o formato da Terra e tantos outros exemplos. Introduzir esse tipo de questionamento é muito mais fácil do que revertê-lo.
Seria ideal que todos entendessem como a ciência produz conhecimento, como os consensos são construídos e como as evidências são avaliadas. Mas tenho dificuldade em imaginar que isso possa ser alcançado em larga escala.
Conversando recentemente com colegas nos Estados Unidos, percebi que muitos deles compartilham dessa preocupação. Há um entendimento crescente de que a população provavelmente não vai se apropriar do método científico da forma como imaginávamos. Por isso, talvez seja necessário pensar outras formas de comunicação.
O método científico continua sendo, para mim, uma das formas mais democráticas de produzir conhecimento. A questão é saber se comunicar o método é, de fato, a estratégia mais eficaz para fortalecer a confiança na ciência. Ainda não tenho uma resposta clara para isso. O que sei é que estamos diante de um desafio enorme e seguimos tentando entender quais caminhos funcionam melhor.
“O futuro da filantropia científica brasileira depende, antes de tudo, da legislação.”
O Serrapilheira atua frequentemente em parceria com outras organizações, inclusive como intermediário de doações e fiscal sponsor. O futuro da filantropia científica brasileira passa necessariamente por um modelo mais colaborativo entre fundações, universidades e sociedade civil?
HA — Colaboração é sempre positiva. Mas, para ser sincero, acho que o futuro da filantropia científica brasileira depende, antes de tudo, da legislação. Existem pessoas interessadas em fazer filantropia e em investir em ciência, mas hoje esse processo ainda é muito difícil no Brasil. Em alguns aspectos, chega a ser contraproducente. A primeira condição para que a filantropia cresça é que ela não exija um esforço desproporcional de quem deseja contribuir.
Uma vez superada essa barreira, acredito que veremos um fluxo maior de investimentos filantrópicos para a ciência. Filantropia existe no Brasil; o que ainda é raro é o investimento filantrópico em ciência.
A partir daí, faz sentido pensar em modelos mais colaborativos, em redes e consórcios semelhantes aos que existem em outros países. Um exemplo é a Science Philanthropy Alliance, nos Estados Unidos. Estruturas desse tipo ajudam a dar segurança para quem deseja investir.
Muitas pessoas são fascinadas pela ciência, mas também se sentem intimidadas por ela. É um ambiente complexo, cheio de especificidades. No Brasil, essa complexidade é ainda maior por causa das regras institucionais e dos fluxos financeiros. Os recursos normalmente precisam passar por fundações de apoio, existem diferentes exigências administrativas e uma série de procedimentos que tornam o processo menos simples do que poderia ser.
Por isso, acredito que redes que reúnam filantropias, instituições públicas e organizações da sociedade civil podem desempenhar um papel importante. Vejo algo desse espírito em iniciativas como o grupo de trabalho sobre filantropia da SBPC, por exemplo.
A criação desse grupo pela SBPC é um excelente sinal. Existe uma dificuldade histórica no sistema científico brasileiro, especialmente nas instituições públicas, em relação ao financiamento privado. Muitas vezes esse tipo de recurso é visto com desconfiança.
Se já não existe um ambiente tributário particularmente favorável à filantropia e, além disso, o investidor percebe resistência dentro do próprio sistema científico, fica muito mais difícil atrair novos apoiadores.
Por isso, é importante que haja uma sinalização clara de que os investimentos filantrópicos são bem-vindos e podem exercer um papel complementar relevante no fortalecimento da ciência brasileira. Essa sinalização precisa vir tanto da sociedade civil quanto das universidades, das agências públicas, dos ministérios e das entidades científicas.
Desde 2017, o Serrapilheira vem testando formas diferentes de apoiar ciência e comunicação científica. Se outras famílias, institutos ou empresas decidissem seguir esse caminho, quais princípios você considera essenciais para que a filantropia fortaleça — e não apenas financie — o sistema científico brasileiro?
HA — É difícil dar conselhos sem parecer pretensioso. Mas o que mais me motiva na filantropia científica é justamente a capacidade que ela tem de abrir caminhos. No Brasil, a forma como instituições públicas, pesquisadores e governos operam é fortemente condicionada pela estrutura do sistema. Por isso, mesmo pequenas iniciativas podem gerar mudanças importantes.
Se eu tivesse que dar uma recomendação, seria esta: não reproduzam simplesmente o que já existe. Aproveitem a liberdade que a filantropia oferece para experimentar coisas diferentes.
O Serrapilheira está sempre disposto a compartilhar experiências e apoiar quem queira seguir esse caminho. Mas cada filantropo terá sua própria visão e suas próprias prioridades. Isso é natural. O que considero mais interessante é que a filantropia pode mostrar alternativas.
Se a filantropia não deve substituir o papel das instituições públicas, de que forma ela pode contribuir para transformar o sistema científico?
HA — Existe uma expressão em inglês, to bend the system, algo como moldar ou forçar o sistema em determinada direção. Eu não acredito que esse seja o papel da filantropia. A filantropia tem o privilégio de poder experimentar e propor soluções, mas não tem legitimidade para redefinir sozinha as regras do jogo. Quem tem essa legitimidade são as instituições democráticas e os representantes eleitos.
O papel da filantropia é outro: oferecer exemplos, testar alternativas e produzir evidências que possam inspirar mudanças mais amplas. E isso funciona. Muitas vezes, mudanças importantes começam com iniciativas muito simples.
Um exemplo são as extensões de prazos que criamos para pesquisadoras grávidas ou com filhos pequenos em nossos editais. Quando você pára para pensar, são medidas bastante óbvias. Mas, como não estavam previstas nos mecanismos tradicionais, acabavam não sendo implementadas. Depois que adotamos essas medidas, elas passaram a ser incorporadas por outras instituições, como o CNPq e algumas fundações estaduais de amparo à pesquisa. Esse é um exemplo de como uma pequena inovação pode abrir um caminho que depois é seguido por outros atores.
E há um espaço enorme para isso no sistema científico brasileiro. Existem inúmeras oportunidades para testar abordagens diferentes, muitas delas simples e de fácil implementação. Por isso, acredito que a filantropia científica é um campo extremamente estimulante no Brasil. Em alguns aspectos, talvez seja até mais interessante do que em países como os Estados Unidos, onde o ecossistema filantrópico já é muito mais maduro e consolidado. Aqui, o potencial de transformação ainda é enorme.
Além disso, estamos falando de um campo estratégico para o futuro do país. Grande parte da filantropia se concentra, legitimamente, em áreas como educação. Mas é importante lembrar que investimentos de curto prazo têm limites de impacto.
A ciência opera em outra escala temporal. Seus resultados podem levar mais tempo para aparecer, mas têm um potencial muito profundo de transformação econômica, social e cultural. Por isso, considero a filantropia científica um dos espaços mais interessantes para quem deseja contribuir para o desenvolvimento do país.