Dias depois de entrar no ar, o Observatório das Eleições 2026, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), já reúne quase 70 candidaturas que assumiram publicamente o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional. A iniciativa, lançada na última segunda-feira (17/08), leva ao debate eleitoral uma agenda construída coletivamente pela comunidade científica e cria um espaço para que a sociedade conheça, acompanhe e cobre os compromissos assumidos por quem disputa as eleições deste ano.
As adesões, de candidatas e candidatos a diferentes cargos e estados, são publicadas e atualizadas diariamente no site do Observatório das Eleições 2026, com acesso aberto. Mais do que reunir assinaturas, a proposta é colocar em circulação as 117 propostas do caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos” e promover o diálogo entre o que a ciência propõe, as questões e demandas da sociedade e aquilo que as candidaturas se comprometem a fazer.
“O Observatório das Eleições é o passo que transforma o caderno em ação. As ‘Vozes da Ciência’ não podem se encerrar no papel: o Observatório leva as 117 propostas para o debate eleitoral e cria um espaço público no qual candidatas e candidatos podem assumir compromissos com a ciência, a democracia e a soberania, e a sociedade pode acompanhar e cobrar esses compromissos, eixo por eixo”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.
Das propostas ao compromisso
O Observatório é um desdobramento do ciclo “Vozes da Ciência”, realizado pela SBPC entre novembro de 2025 e maio de 2026. Ao longo de seis meses, 13 mesas de debate reuniram mais de 60 pesquisadores de diferentes áreas e regiões do País para discutir desafios brasileiros em temas como educação, meio ambiente, inovação, saúde pública, geopolítica, cultura, democracia e soberania.
As discussões deram origem ao caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, que reúne 117 propostas em sete eixos: 1) CT&I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.
Agora, o Observatório leva essas propostas para as eleições e convida candidatas e candidatos a dizerem publicamente o que pretendem fazer.
Podem aderir ao Termo candidaturas a deputado estadual ou distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Ao assiná-lo, elas assumem cinco compromissos: tratar a Ciência como política de Estado, com financiamento público, previsível e de longo prazo; fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos; defender a autonomia das universidades e institutos públicos e a liberdade de pesquisa; proteger a democracia, suas instituições e a Constituição de 1988; e se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.
“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, afirma Garcia.
Ciência como projeto de Nação
Embora reúna propostas para diferentes áreas das políticas públicas, a agenda parte de uma questão estruturante: Ciência, Tecnologia e Inovação como Projeto de Nação.
Para as candidaturas à Presidência da República e aos governos estaduais, por exemplo, o Vozes da Ciência propõe que CT&I esteja entre as prioridades protegidas de bloqueios orçamentários e que os governos apresentem, nos primeiros 180 dias de mandato, propostas de orçamento plurianual para o setor.
O documento também propõe apoio ao Projeto de Lei nº 5.876/2016, que prevê a aplicação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal em CT&I, e a ampliação do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à Pesquisa e Desenvolvimento.
Para quem disputa vagas no Legislativo, estão entre as propostas atuar contra medidas que reduzam ou contingenciem recursos da Ciência e apoiar uma emenda constitucional que estabeleça um piso mínimo de investimento em CT&I, nos moldes dos mecanismos existentes para Saúde e Educação.
O Observatório também é de quem vota
A iniciativa não se limita, porém, ao compromisso das candidaturas. O Observatório também convida a sociedade a participar do debate.
Organizado a partir dos sete eixos do Vozes da Ciência, o portal oferece propostas e questões que podem subsidiar conversas com candidatas e candidatos em debates, entrevistas, encontros e atividades de campanha. A ideia é contribuir para que diferentes setores da sociedade conheçam as posições de quem disputa o voto, façam suas próprias perguntas e possam acompanhar posteriormente os compromissos assumidos.
Essa mobilização deverá chegar também aos estados, com a participação das Secretarias Regionais da SBPC, Sociedades Científicas Afiliadas, pesquisadores, universidades e outras instituições. A proposta é incorporar ao Observatório questões e prioridades dos diferentes territórios e ampliar o diálogo com as candidaturas locais.
“O Observatório é também um instrumento de mobilização da comunidade científica nos territórios. Ele oferece a pesquisadores e pesquisadoras, em cada cidade e região do País, uma ferramenta concreta para qualificar o debate público, dialogar com as candidaturas e aproximar a ciência das decisões que afetam a vida das pessoas”, destaca Francilene Garcia.
Ciência e eleições em debate
Ao longo da campanha, a SBPC também produzirá informações e análises sobre a presença da ciência nas eleições. Estão previstas reportagens sobre os planos de governo das candidaturas ao Executivo, análises estaduais com participação das Secretarias Regionais e levantamentos que cruzem os dados oficiais de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com as adesões registradas no Observatório.
Outra frente será o acompanhamento de temas e propostas estratégicas para CT&I que dependem de decisões políticas, ampliando o debate para além da manifestação genérica de apoio à ciência.
O objetivo é que o Observatório funcione durante e depois das eleições: a ciência apresenta propostas; a sociedade participa e questiona; as candidaturas respondem e assumem compromissos; e esses compromissos passam a integrar um registro público que poderá ser acompanhado após as urnas.
“Não se trata de apoiar esta ou aquela candidatura. Trata-se de assegurar que, independentemente de quem seja eleito, a Ciência, a Educação, a Democracia, a Soberania e o Conhecimento estejam no centro das escolhas e das políticas públicas que definirão o futuro do Brasil”, conclui Garcia.
Candidata ou candidato, conheça as 117 propostas do “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos” e assuma seu compromisso. Eleitora ou eleitor, acompanhe as adesões, conheça as propostas e leve essas questões ao debate eleitoral.
Jornal da Ciência


