urna

Observatório das Eleições reúne cientistas e propõe 10 perguntas a presidenciáveis no segundo turno

Iniciativa busca estimular o debate eleitoral focado em propostas baseadas em ciência, além de chamar entidades científicas a participarem da ação

Depois de mobilizar candidaturas de diferentes cargos políticos em torno da defesa da ciência, da soberania nacional e da democracia no primeiro turno, o Observatório das Eleições 2026 inicia uma nova etapa, agora voltada à qualificação do debate entre os candidatos à Presidência da República. Nesta segunda fase, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Instituto Serrapilheira,  sociedades científicas afiliadas à SBPC e entidades do Sistema Nacional de CT&I, apresenta às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro questões estratégicas para o desenvolvimento do País. O objetivo é estimular os presidenciáveis a aprofundar suas propostas, esclarecer pontos que permanecem em aberto nos programas de governo e trazer para o centro do debate eleitoral políticas públicas fundamentadas em evidências científicas.

“O objetivo desta iniciativa é simples: fazer a ciência entrar no debate do segundo turno. Esta é a segunda fase do Observatório das Eleições 2026. Na primeira, durante o primeiro turno, colhemos termos de compromisso com a ciência assinados por candidatas e candidatos de todo o País, um registro público de quem assume a educação, a pesquisa e o conhecimento como políticas de Estado. Agora, no segundo turno, passamos da adesão às respostas concretas”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.

A SBPC e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram dez questões para serem respondidas às duas candidaturas, com as mesmas regras e o mesmo prazo de resposta. Para o desenvolvimento destas questões, pesquisadoras e pesquisadores de referência em suas áreas foram convidados a apresentar alguns dos principais desafios do Brasil e a apontar caminhos para políticas públicas baseadas em evidências, capazes de promover o desenvolvimento, reduzir desigualdades e fortalecer a soberania nacional.

Essas perguntas abordam diferentes temáticas, como segurança pública, políticas para plataformas digitais e inteligência artificial, estímulo à saúde e ao Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecimento da emergência climática, educação, políticas para igualdade e diversidade, entre outros.

“Perguntamos, porque as escolhas de outubro terão consequências para o Brasil por décadas. Ciência, educação, saúde, clima e tecnologia não são pautas de um setor: são parte da capacidade de um país de desenvolver soluções, produzir conhecimento e decidir seus próprios caminhos”, complementa Garcia.

As respostas recebidas serão publicadas na íntegra no site do Observatório das Eleições. Também haverá o registro caso as candidaturas não enviem suas respostas. “Queremos que o eleitor compare os dois projetos de país olhando para o futuro. Contamos também com jornalistas e comunicadores para levar essa comparação para além dos nossos muros e ampliar o alcance desse debate na sociedade”, explica a presidente da SBPC. Para auxiliar o eleitor, também foi publicada nesta sexta-feira uma análise comparativa dos planos de governo submetidos por cada candidato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Convite às entidades científicas

Outro ponto dessa segunda fase do Observatório das Eleições é um convite às entidades científicas. Pesquisadoras e pesquisadores de sociedades científicas de todo o País também participam da iniciativa, compartilhando reflexões e contribuições de suas áreas de conhecimento sobre os temas propostos nas 10 perguntas encaminhadas aos presidenciáveis. Suas diferentes perspectivas ajudam a ampliar e enriquecer o debate sobre o futuro do Brasil.

Para isso, as entidades devem encaminhar à SBPC as suas ponderações em vídeo, que precisa estar disponível nas plataformas YouTube, Instagram ou TikTok. Cada vídeo deve ter até 90 segundos, não citar candidatos ou partidos e não indicar voto.

Para a presidente da SBPC, trata-se de uma mobilização conjunta que não se encerra nas urnas. “Nosso trabalho não termina com a eleição. A partir de 26 de outubro, os compromissos recebidos passarão a integrar um painel público de acompanhamento, mantido até 2030, qualquer que seja o resultado. Os compromissos assinados e as respostas dadas serão referências para acompanhar e cobrar a atuação do governo eleito.

É isso que nossa posição resume: avançar sempre, perder nunca. Avançar sempre, porque o conhecimento é uma riqueza que cresce quando compartilhada. Perder nunca, porque o que levamos décadas para construir, o SUS, as universidades, as agências de fomento, a capacidade de produzir nossas próprias vacinas, pode ser desmontado. E esse patrimônio não pertence a nenhum governo: pertence ao povo brasileiro”, conclui.

Acesse o site do Observatório das Eleições 2026 e participe!

 

Rafael Revadam – Jornal da Ciência

Picture of Blog Ciencia e Cultura

Blog Ciencia e Cultura

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Relacionados