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SBPC vai à Escola: evento intercultural discute direitos indígenas, educação e violência

Atividades no Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), contaram com a participação de universitários indígenas, professores da UFBA e da diretora da SBPC, Miriam Grossi

 

Direitos indígenas e violência doméstica foram temas de oficina no primeiro dia da Feira de Ciências do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), realizado entre 26 e 27 de outubro. Com o tema “Ãbakahay Upâ Arupãb Pataxó: memórias da educação Pataxó” o evento tem apoio do programa SBPC vai à Escola da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e do PET – Comunidades Indígenas, programa de Educação Tutorial voltado para as comunidades indígenas da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“O evento tem sido muito estimulante e é uma ótima oportunidade de troca de experiências”, conta Thays Pataxó, graduanda indígena da UFBA que ministrou a oficina sobre violência doméstica com Miriam Grossi, professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e diretora da SBPC.

Durante a oficina foram apresentadas algumas histórias fictícias para que os alunos identificassem atitudes violentas. “Foi gratificante observar o interesse deles. Conseguimos fazer com que também percebessem algumas violências domésticas em suas vidas, em torno de si”. Para finalizar a oficina, Thays, que estudou no colégio, conta que um professor de jiu jitsu ensinou alguns golpes de defesa pessoal para os cerca de 100 alunos.

Outra atividade desenvolvida pelo programa SBPC foi à Escola discutiu direitos indígenas. Aktxawã Pataxó ministrou a oficina, que tinha como objetivo chamar a atenção para questões de território, das línguas, entre outros pontos. “Foi bem proveitoso, porque conseguimos envolver os alunos. Fizemos uma espécie de gincana com duas turmas concorrendo, o que motivou a participação”, conta ele, que também é ex-aluno do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha e hoje cursa Gastronomia na UFBA.

Miriam Grossi destaca a participação na realização das atividades de 14 universitários que foram alunos do Colégio. “Além de estimular o interesse pela ciência, a atividade tem como objetivo incentivar que os alunos continuem estudando, a exemplo desses 14 estudantes que já estiveram bem ali, na mesma escola, e agora seguiram para a universidade”, conta.

Após dois anos realizada em formato virtual, a Feira é retomada de forma presencial com ‘memórias’, com o objetivo de recuperar o passado e as conquistas da escola que nasceu em 2015. “Aqui podemos perceber também que a cultura indígena não está desconectada do mundo moderno’”, comenta Grossi.

“Não deixamos de olhar para trás. Tudo que sabemos e conquistamos foi por causa dos indígenas que vieram antes de nós, e isso é muito importante para nossa cultura”, acrescenta Akbxawã. “Na cultura e na ciência indígena todo o conhecimento só faz sentido se ele for coletivo. Por isso, esta edição sobre memórias é gratificante. Ciência indígena é memória”, conclui Thays.

Evento promove experiência intercultural

No segundo dia e último dia da Feira de Ciências do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), o programa SBPC vai à Escola promoveu uma experiência intercultural ao levar estudantes por um passeio na Aldeia Reserva da Jaqueira.

Os alunos visitaram diversas instalações, dentre elas, a Casa do Museu Pataxó, e conversaram com o cacique da aldeia.

Maria do Rosário de Carvalho, professora titular da UFBA, conta que a Reserva da Jaqueira foi criada na década de 90, mas que os Pataxós sempre estiveram na região. Hoje a Reserva ocupa 827 hectares de Mata Atlântica preservada onde vivem 34 famílias ainda mantendo alguns costumes milenares do povo Pataxó. “Eles estão vivendo em uma área preservada e conquistada”, diz.

Além da Casa do Museu Pataxó, a área conta com lojas que divulgam o artesanato dos povos e uma escola do ensino básico. “O turismo da região, além de divulgar a cultura do Povo Pataxó, é uma maneira de assegurar a reprodução social desse povo, tanto que a Reserva da Jaqueira comercializa produtos de outras aldeias”, explica Grossi.

Felipe Fernandes, responsável pelo programa SBPC vai à Escola da região, ressalta a importância do projeto para promover a divulgação científica. “Submetemos o projeto com o objetivo de contemplar atividades relativas ao Bicentenário da Independência, e a ciência indígena não poderia ficar de fora por tudo que representa”, comenta. “Tivemos muitos apoios para a realização da atividade, mas o programa foi a coluna vertebral para sua execução”.

Confira as imagens do evento:

Jornal da Ciência

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