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Quem ensina ciência além da escola?

Museus, bibliotecas, jardins botânicos e outros espaços educativos ampliam o acesso ao conhecimento científico e desafiam a ideia de que aprender é uma atividade restrita à sala de aula

Quando se fala em educação científica, a imagem mais comum ainda é a da sala de aula, do professor diante dos alunos e dos conteúdos organizados em disciplinas. No entanto, a aprendizagem da ciência acontece em muitos outros lugares. Museus, bibliotecas, centros culturais, zoológicos, jardins botânicos, parques ecológicos e até as interações cotidianas em família desempenham um papel importante na construção do conhecimento científico.

Essa ampliação do conceito de educação tem levado pesquisadores a discutir quem ensina ciência além do professor e como diferentes espaços educativos contribuem para aproximar crianças, jovens e adultos da cultura científica. Mais do que uma simples extensão da escola, esses ambientes possuem características próprias, linguagens específicas e profissionais especializados que atuam na mediação do conhecimento.

Para Marta Marandino, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e uma das principais pesquisadoras brasileiras nas áreas de educação e divulgação científica, é importante reconhecer que a educação ocorre em diferentes contextos sociais. A pesquisadora destaca que aprendemos não apenas na escola, mas também nas relações familiares, nas comunidades, nos grupos sociais e nas experiências vividas em espaços culturais e científicos. Nesse cenário, conceitos como educação formal, não formal e informal ajudam a compreender a diversidade de processos educativos presentes na sociedade.

Entre os profissionais que atuam fora do ambiente escolar estão educadores museais, mediadores, educadores sociais, educadores culturais, guias e animadores. Embora desempenhem funções semelhantes de aproximação entre público e conhecimento, os diferentes nomes refletem concepções distintas sobre o papel exercido por esses profissionais.

Museus ocupam posição de destaque nesse debate. Longe de serem apenas locais destinados à preservação de coleções, eles vêm se consolidando como importantes espaços de aprendizagem. O próprio conceito de museu tornou-se mais amplo e diverso, abrangendo desde instituições tradicionais até centros interativos voltados à divulgação científica. Um exemplo citado por Marta Marandino é o Museu Catavento, em São Paulo. Diferentemente dos museus baseados em coleções históricas ou científicas, o espaço foi concebido para promover experiências interativas e estimular a curiosidade do público por meio da experimentação e do contato direto com fenômenos científicos.

Além dos museus de ciência, existem instituições dedicadas à arte, história, antropologia e etnologia, cada uma contribuindo de maneira específica para a formação cultural e científica da população. Apesar das diferenças, esses espaços compartilham uma intencionalidade educativa que os aproxima da escola. “A sala de aula se transforma, esses alunos se transformam, quando as ciências são aprendidas nesses espaços, como os professores tornam-se aliados desses educadores, esses educadores tornam-se aliados desses professores”, afirma Marta Marandino.

A pesquisadora ressalta que não faz sentido compreender a relação entre escola e museu como uma disputa ou substituição. Embora frequentemente se diga que os museus complementam a escola, ela prefere falar em parceria. Para ela, cada espaço possui formas próprias de produzir, compartilhar e ensinar conhecimentos. “E, na verdade, eu acho que é mais uma ideia de parceria no sentido de que cada um desses espaços tem uma forma de produzir conhecimento e de divulgar conhecimento e de ensinar que é diferente e que são importantes, ambos”, finaliza.

A escola, inclusive, continua sendo a principal porta de entrada para muitos brasileiros no universo dos museus e da cultura científica. Diversas pesquisas mostram que grande parte das pessoas visita um museu pela primeira vez em uma atividade escolar. Em muitos casos, essa experiência desperta o interesse dos estudantes e incentiva novas visitas com familiares e amigos.

Ao reconhecer que a ciência é aprendida em múltiplos contextos, amplia-se também a compreensão sobre quem ensina. Professores continuam sendo figuras centrais nesse processo, mas dividem esse papel com educadores de museus, bibliotecários, mediadores culturais e muitos outros profissionais que ajudam a transformar a curiosidade em conhecimento. Em conjunto, esses espaços e atores contribuem para construir uma educação científica mais rica, diversa e conectada com a realidade dos estudantes.

Ouça ao episódio completo:

 

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