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A ciência por trás das brincadeiras

Pesquisas mostram que jogos, brincadeiras e imaginação estimulam memória, atenção, criatividade e pensamento científico desde a infância.

Brincar está longe de ser apenas uma forma de entretenimento infantil. Estudos nas áreas de educação e neurociência mostram que jogos, brincadeiras e atividades imaginativas mobilizam processos essenciais para a aprendizagem, como memória, atenção, criatividade e resolução de problemas. Mais do que um recurso pedagógico para tornar as aulas mais agradáveis, o lúdico pode ser compreendido como uma forma estruturante de aprender e de construir conhecimento. “O brincar não só um brincar: ele é uma porta aberta para múltiplas experiências e múltiplas aprendizagens”, afirma Fabiane Maia Garcia, professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Quando uma criança brinca, diferentes regiões do cérebro são ativadas simultaneamente. Áreas ligadas à atenção, à memória, à linguagem, ao planejamento e às emoções trabalham em conjunto, fortalecendo conexões neurais e favorecendo a retenção do conhecimento. Para Francine de Paulo Martins Lima, professora da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Educação do Departamento de Gestão Educacional, Teorias e Práticas de Ensino (DPE) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o brincar ocupa um lugar central no desenvolvimento infantil. “O brincar não tem um objetivo — ele é a atividade principal. É como a criança se comunica, é como a criança se coloca, é como a criança vibra na sua existência”, explica.

A brincadeira também cria um ambiente seguro para a experimentação. Diferentemente de situações formais de avaliação, o erro não é visto como fracasso, mas como parte natural do processo de descoberta. Ao jogar, a criança formula hipóteses, testa possibilidades, observa resultados e ajusta estratégias, em um movimento muito semelhante ao método científico. Essa dinâmica estimula a curiosidade, a autonomia e o pensamento crítico, competências fundamentais para a aprendizagem ao longo da vida.

Outro aspecto importante é o papel da imaginação. Ao transformar uma caixa em uma nave espacial ou inventar histórias e personagens, a criança desenvolve a capacidade de abstração, habilidade indispensável para compreender conceitos científicos mais complexos no futuro. Porém, o potencial educativo do lúdico depende de uma utilização significativa. Quando jogos e brincadeiras são empregados apenas para tornar conteúdos mais atrativos, sem promover reflexão, investigação ou participação ativa, seus benefícios para a aprendizagem tendem a ser reduzidos. “O jogo é uma experiência de autonomia, de direito de falar, de pensar, de explorar, de criar nos limites dos seus interesses, dos seus recursos, das suas possibilidades, da sua cultura”, destaca Lino de Macedo, professor emérito do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância.

Assista ao vídeo completo:

 

Ciência & Cultura © 2022 by SBPC is licensed under CC BY-SA 4.0  

 

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