Etnomusicóloga usa trilha sonora para contar história da antropóloga brasileira e revela como a música pode dar novas dimensões à preservação e valorização das culturas indígenas
Berta Gleizer Ribeiro (1924-1997) foi uma das figuras mais emblemáticas da antropologia no Brasil. Reconhecida por seu pioneirismo no estudo das culturas indígenas, suas contribuições para a ciência brasileira são imensuráveis. Berta Ribeiro dedicou sua vida à valorização e preservação dos saberes e modos de vida dos povos originários da Amazônia, criando uma ponte entre a academia e as comunidades tradicionais. Em 2024, seu centenário é celebrado, marcando o legado de uma intelectual cuja obra segue influenciando gerações de pesquisadores, museólogos e ativistas em prol dos direitos indígenas e da preservação cultural.
O documentário “Para Berta, com Amor” é uma das iniciativas que homenageiam sua trajetória. Com trilha sonora criada por Ollivia Maria Gonçalves, musicista e etnomusicóloga, o filme retrata a vida e o impacto de Berta Ribeiro no campo da antropologia. Ollivia Gonçalves, que também é mestre em antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), trouxe para o projeto sua expertise na interseção entre música e cultura, característica fundamental de um etnomusicólogo — profissional que estuda a música dentro de seus contextos culturais, explorando suas implicações sociais e históricas. A trilha do documentário complementa e amplifica a narrativa, conectando o público às experiências vividas por Berta Ribeiro e os povos que ela estudou. “Acho que Berta Ribeiro era uma mulher muito forte, uma mulher muito intensa, de grandes paixões. Ela deve ser a primeira pessoa que trouxe uma visão diferenciada dos povos indígenas pessoas, mostrando sua arte, sua cultura numa outra dimensão. E a música ajuda a contar essa história”, pontua.
Berta Ribeiro é, sem dúvida, uma referência fundamental na antropologia brasileira. Sua abordagem inovadora, focada na cultura material e na arte visual dos povos indígenas, influenciou profundamente o desenvolvimento da disciplina no país. O documentário, com sua trilha sonora cuidadosamente elaborada, tem o potencial de renovar e expandir o reconhecimento do impacto de sua obra, despertando nas novas gerações um interesse maior pela riqueza das culturas indígenas e pela importância da preservação de suas tradições. “Acho que o maior legado que Berta Ribeiro deixou para a antropologia brasileira foi a linhagem dela. Ela criou uma linhagem de antropólogos que seguiram por um caminho e foram amplificando e melhorando a vida daqueles povos tradicionais”, afirma Ollivia Gonçalves.
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