Uma reflexão sobre as conexões profundas entre música, conhecimento e sensibilidade humana
Os universos da ciência e da arte ora se tangenciam, muitas vezes se sobrepõem, constantemente se cruzam e sempre coexistem de forma não paralela, criando interconexões, relações de causa e efeito e sinergias nem sempre evidentes, pouco óbvias a olhares menos atentos. A relação indissociável entre ciência e arte, entretanto, é cada vez mais evidente, e muitos têm se dedicado a traduzi-la em palavras, principalmente com relação às artes visuais, como cinema, escultura, pintura e artes plásticas, fotografia etc.
Embora, dentre as artes, a relação da música/canção com a ciência seja a menos difundida, ela também existe — e com grande relevância: há a ciência da música, a ciência na música e a música na ciência.
“A música é o domínio inteligente e poético do som, que ainda pode ser fortemente impulsionado por uma lírica, quando associado à palavra, resultando na canção.”
O som é, por si só, uma manifestação estudada e explicada pela física como uma vibração que se propaga como uma onda em um meio elástico, como o ar; sua transdução pelo ouvido a impulsos nervosos que atingem o cérebro e nos fazem ouvir é pura biologia; a escala musical e a combinação harmônica ou dissonante de suas notas em acordes são compreendidas pela física e matemática, além de constituírem um fenômeno cultural; o som é fator primordial para comunicação, localização e proteção de diferentes espécies animais, sendo objeto importantíssimo de estudo dos diferentes ramos da zoologia; as ciências humanas, nas suas diferentes vertentes, têm o som associado à fala, às entoações da fala, aos sotaques, às línguas e às formas de comunicação pela palavra como um dos seus múltiplos enfoques.
A música é o domínio inteligente e poético do som, que ainda pode ser fortemente impulsionado por uma lírica quando associado à palavra, resultando na canção. O som como obra de arte, combinando notas, ritmos, acordes, harmonias e palavras, transcende a ciência nele contida, direcionando à necessidade de compreensão da relação simbiótica entre a cultura de diferentes povos e sua música. Isso engloba aqui grandes festas populares como o carnaval ou manifestações comedidas como os diferentes ritos religiosos; os ritmos e os estilos que os caracterizam e os diferenciam; a utilização da música como terapia e a compreensão de como ela afeta nosso cérebro e provoca diferentes tipos de emoção; o canto, enquanto forma de expressão, e a dança, que é o movimento do corpo em resposta ao movimento sonoro; a ciência precisa na arte da construção dos diferentes instrumentos musicais.
“Embora, dentre as artes, a relação da música/canção com a ciência seja a menos difundida, ela também existe, e com grande relevância.”
O grande mercado originário da música e da canção requereu, com o passar dos anos, conhecimento científico e engenharia sofisticada para a produção de novos materiais para gravações e captação de som, que foi a forma definitiva de torná-lo imortal.
Esta edição de Ciência & Cultura busca lançar um pouco de luz sobre alguns desses aspectos e discutir, acima de tudo, a beleza. Um veículo de divulgação de ciência e cultura, unindo esses dois pilares imprescindíveis à sobrevivência humana por meio do som, da música e da canção.
“O som é por si só uma manifestação estudada e explicada pela física como uma vibração que se propaga como uma onda num meio elástico, como o ar.”
Esperamos que tenham uma boa leitura.
Capa: Foto por Freepik. Reprodução


