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A música na era da IA

Entre algoritmos e artistas, a inteligência artificial redefine a criação musical e desafia conceitos de autoria, criatividade e ética na era digital.

 

Modelos generativos, assistentes criativos e algoritmos capazes de aprender estilos musicais estão redefinindo a forma como a música é composta. Mais do que ferramentas técnicas, essas tecnologias passam a atuar como parceiras no processo criativo, ampliando possibilidades e levantando novas questões sobre autoria, originalidade e o papel do artista.

“A máquina do computador não é mais somente uma calculadora, ela é também uma ferramenta de transformar o som”, afirma Ivan Eiji Yamauchi Simurra, pesquisador colaborador no Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (NICS/UNICAMP) e professor emergencial do Departamento de Música da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Na prática, a inteligência artificial já é capaz de sugerir melodias, harmonias e até arranjos completos, tornando o processo de composição mais ágil e experimental.

Essa transformação, no entanto, não se resume ao avanço tecnológico. Para especialistas, o impacto da IA depende diretamente das escolhas humanas. “Não é a ideia que o futuro está no código, não é a ideia que o futuro está na IA, ou se a IA vai produzir ou vai libertar a música. Isso depende menos do algoritmo e mais da nossa intencionalidade humana”, destaca Isabel Nogueira, professora e orientadora do Curso de Pós-Graduação Mestrado e Doutorado em Memória Social e Patrimônio Cultural (UFPel), além de professora do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Ao mesmo tempo em que amplia horizontes criativos, a presença da IA na música intensifica debates sobre autoria e autonomia intelectual. Se algoritmos participam ativamente da criação, quem assina a obra? E até que ponto o uso dessas ferramentas pode influenciar o desenvolvimento artístico? “Nós precisamos entender, ser críticos e estabelecer limites, definir quando a IA é útil e quando ela não é. Ela não pode prejudicar o desenvolvimento da nossa autonomia intelectual”, afirma Bruno Westermann, professor do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenador do projeto de pesquisa Investigações sobre Música e Plataformas Digitais no Brasil.

As implicações vão além do campo criativo e alcançam questões éticas e jurídicas. Sistemas de inteligência artificial são treinados com grandes volumes de dados, frequentemente incluindo obras de artistas sem reconhecimento direto, o que levanta discussões sobre direitos autorais e remuneração. Paralelamente, cresce a necessidade de refletir sobre os hábitos de consumo musical em plataformas digitais. “A gente tem que começar a problematizar a maneira com que a gente consome música socialmente hoje em dia”, ressalta Alex Kantorowicz Buck, professor na área de Composição, no Studio PANaroma de Música Eletroacústica, do Departamento de Música do Instituto de Artes da UNESP.

Entre avanços e incertezas, a inteligência artificial inaugura uma nova etapa na história da música. Se, por um lado, ela potencializa a criatividade, acelera processos e personaliza experiências, por outro, impõe desafios relacionados à diversidade estética, à valorização do trabalho humano e às dinâmicas do mercado musical. O futuro da composição, ao que tudo indica, será moldado por uma convivência cada vez mais estreita entre humanos e máquinas — uma parceria que exige não apenas inovação, mas também reflexão crítica sobre seus limites e possibilidades.

Assista ao vídeo completo:

 

Ciência & Cultura © 2022 by SBPC is licensed under CC BY-SA 4.0  
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