Música na escola: um corpo/coro criativo

A presença da música na escola brasileira passou por transformações significativas ao longo da história, acompanhando mudanças sociais, culturais e educacionais.

Resumo

O artigo propõe uma reflexão sensível e crítica sobre a presença da música na escola brasileira, tomando o corpo como eixo central da aprendizagem artístico-musical. Parte da compreensão de que a educação musical se construiu historicamente entre permanências e deslocamentos, atravessando projetos catequéticos, modelos conservatoriais, iniciativas nacionalistas e propostas experimentais. Ao revisitar marcos como o Canto Orfeônico, os Métodos Ativos e as pedagogias da criação sonora, o texto evidencia como o corpo — muitas vezes silenciado ou instrumentalizado — permaneceu como matriz expressiva fundamental. Em diálogo com diferentes linguagens artísticas, defende-se a noção de uma epistemologia do sentir, na qual aprender música implica escutar, mover-se, criar e conviver. Nesse horizonte, apresenta-se o conceito de corpo/coro criativo como território coletivo de produção de sentidos, capaz de articular voz, gesto, palavra, visualidade, espaços, tecnologias e espiritualidade. O artigo problematiza a fragmentação curricular e aponta a necessidade de caminhos didáticos transdisciplinares que integrem apreciação, composição e interpretação, sustentados por ferramentas artístico-pedagógicas sistematizadas. Ao reunir contribuições da educação, das artes e da filosofia, o texto afirma a música como prática relacional e experiência viva, capaz de ampliar competências criativas, comunicativas e afetivas. Conclui-se que repensar a educação musical a partir do corpo/coro criativo constitui uma resposta potente às demandas contemporâneas da escola, recolocando o sensível, a imaginação e o sentir no centro dos processos formativos.

O território sensível da escola

No compasso das horas escolares, onde o pensamento pulsa entre aulas disciplinadas e o riso ecoa pelos intervalos, existe um território quase invisível — um lugar onde apenas as artes e a música ousam habitar com delicadeza: o espaço do sentir, do imaginar, do aprender pelo corpo sonoro criativo. Um corpo musical desperto, atento e livre, em sintonia com múltiplas formas de representação de sentidos a partir das linguagens artísticas.

A presença da música na escola brasileira atravessou transformações profundas na história, acompanhando as mudanças sociais, culturais e educacionais. Antes restrito e pouco atento à diversidade, o ensino musical hoje precisa reinventar práticas diante da heterogeneidade cultural, dialogando com tendências globais, redes sociais e o cotidiano escolar. Assim, falar de música na escola, é falar de convivência, expressão sonora e escuta como modos de aprender e compreender o mundo. É reconhecer o som em diálogo com outras artes, abrindo espaço para que jovens explorem e revelem suas subjetividades e afetos.

Nesse entrelaçamento de linguagens artísticas — música, dança, teatro e artes visuais — que permeia os currículos escolares atuais, torna-se indispensável revisitar o papel daquele que, tantas vezes, passa despercebido: o corpo. Não o corpo discente reduzido a estatísticas, registros e protocolos institucionais, mas um corpo artístico-musical, sensível e expressivo, que sustenta a construção de significados e a produção do conhecimento. Nele, as operações cognitivas se incorporam e se entrelaçam aos elementos da vida cotidiana, revelando uma rede complexa de percepções, memórias e experiências.[1]

Quando pensamos em corpo, música, escola, gestamos uma epistemologia do sentir, em que o corpo deixa de ser mero repositório de informações sonoras ou habilidades técnicas, tornando-se raiz sensível da aprendizagem artístico-musical. Como descreve Silvino (2007),[2] um meio onde o saber pulsa, vibra e toma forma, habitando o espírito criador que duvida, procura, investiga e pesquisa as dimensões da experiência sonora humana.

 

Temporalidades da experiência musical na educação brasileira

A história do ensino musical no Brasil é uma ciranda que se reinventa entre ecos coloniais e culturas mestiças, em que leis e métodos disputam sentidos, enquanto o corpo sonoro, nascido da oralidade comunitária, persiste como matriz dos saberes híbridos herdados de culturas indígenas, africanas e europeias.

O primeiro projeto sistemático de ensino musical no Brasil surgiu com os jesuítas no século XVI, articulado à catequização. Ensinava-se “ler, escrever, contar, cantar e tanger”,[3] instaurando uma pedagogia marcada pela imposição cultural e pela centralidade da escrita musical europeia. Esse modelo racionalizado deixaria marcas duradouras nos marcos legais e nas instituições educacionais brasileiras.

 

“Falar de música na escola, é falar de convivência, expressão sonora e escuta como modos de aprender e compreender o mundo.”

 

No século XIX, a legislação, pela primeira vez, passou a reconhecer a música na educação pública, sobretudo o canto, concebido como prática estruturante da formação. Esse avanço, porém, coexistiu com as exclusões sociais de um Brasil império e com a consolidação do ensino conservatorial, fortalecido através da criação do Imperial Conservatório do Rio de Janeiro. Nele, o modelo de ensino baseado na técnica, na notação e na reprodução de repertórios europeus, consolidou o chamado “habitus conservatorial”,[4] que naturalizou hierarquias culturais e restringiu a pluralidade de processos musicais.

O início do século XX inaugurou uma paisagem sonora marcada pela diversidade e entrelaçamento de mundos musicais. Entre batuques ancestrais, violões chorosos, sanfonas sentidas e uma “pianolatria” disciplinada, a voz emergiu como eixo agregador para a musicalização no contexto escolar. O Canto Orfeônico, idealizado por Heitor Villa-Lobos, afirmou-se como projeto pedagógico de grande escala ao eleger o canto coletivo como experiência central, visando democratizar o acesso à música e forjar uma identidade sonora nacional, articulando música, moral e civismo.[5] Ainda que estruturado por princípios disciplinares e técnicas herdadas do modelo conservatorial europeu, o orfeonismo permitiu que milhares de estudantes vivenciassem a produção musical a partir do próprio corpo. Seu legado, ainda hoje perceptível nas práticas docentes, revela como a educação musical brasileira se construiu, fazendo do corpo-voz um lugar de memória e ressonância coletiva. (Figura 1)


Figura 1. Coral Universidade Federal do Ceará. Espetáculo Borandá Brasil.
(Foto: Joaquim Saldanha. Acervo CORALUFC)

 

Na primeira metade do século XX, o ensino de música nas escolas brasileiras seguia normas tradicionais, enquanto o pensamento musical euro-ocidental já ensaiava rupturas estéticas e pedagógicas. A criação tornava-se experimental, desafiava convenções, revisitava sonoridades ditas primitivas e buscava novas complexidades expressivas. No campo educacional, o ideário da Escola Nova anunciava uma inflexão decisiva ao defender uma pedagogia fundada na experiência da criança, entendida como processo vivo, nutrido pelas técnicas cognitivas elaboradas historicamente pela humanidade.[6]

É nesse horizonte que emergem os chamados Métodos Ativos — Dalcroze, Kodály, Willems e Orff , deslocando o centro da aprendizagem musical da abstração teórica para a experiência direta.[7] Ritmo, movimento, escuta, improvisação e criação passam a constituir o núcleo do fazer pedagógico, invertendo a lógica teoria/prática e reconhecendo a música como ação sensível, ao evitar a centralidade da teoria e de exercícios descontextualizados, como analisa Figueiredo (2012).[8]

Entre esses educadores, Émile Jaques-Dalcroze destaca-se ao afirmar que o fenômeno musical é indissociável do corpo. Em sua Eurhythmie defendia que ritmo, pulsação e fraseado fossem vivenciados fisicamente antes de serem conceituados, integrando escuta, coordenação motora e gesto expressivo. Para o autor, a musicalidade resulta da articulação entre percepção sonora, voz e consciência rítmica corporal, fazendo do aprendizado uma experiência cinestésica em que gesto e som se relacionam mutuamente.[9]

Contudo, essa primeira geração não rompeu com o repertório europeu nem com a concepção de que a aptidão musical é uma capacidade inata, herdada do paradigma conservatorial. Como aponta Nassif (2022),[7] tratava-se menos de pesquisadores do que de músicos atentos às discussões pedagógicas, cujas práticas permaneceram empiristas e pouco sistematizadas. A principal contribuição dos Métodos Ativos residiu, portanto, não na revisão do código musical, mas no modo de acesso a ele: ativo, corporal e experiencial.

Nas últimas décadas do milênio, enquanto políticas educacionais diluíam a música no campo genérico da Educação Artística, uma segunda geração de educadores, inspirada pelas vanguardas e pela música nova, passou a defender o experimentalismo, a escuta ampliada e a criação a partir de múltiplas fontes sonoras. Em propostas como as de John Paynter e Murray Schafer, a música dialoga organicamente com a palavra, o corpo e as artes visuais, numa “confluência das artes” comparável aos “tributários de um rio”.[10]

 

“A música segue a florescer no cotidiano escolar: não como um conteúdo teórico a cumprir, mas como experiência que atravessa o dia e faz da escola um lugar no qual o corpo, a imaginação e o afeto transitam em harmonia.”

 

Compreender essa trajetória revela que o ensino de música no Brasil se construiu entre permanências e deslocamentos. Repensá-lo hoje exige romper com paradigmas únicos, reconhecer a diversidade cultural brasileira e situar a música no fluxo mais amplo das artes, como prática relacional, sensorial e transdisciplinar. Toda sonoridade — do canto à percussão, do corpo às tecnologias — nasce conectada a formas plurais de perceber e recriar o mundo. É desse ponto de escuta que abrimos questões para caminhos didáticos futuros.

 

O corpo/coro criativo

Aprender música a partir do corpo é uma experiência ancestral que atravessa gerações e culturas. Antes de métodos e currículos, o corpo já era fonte sonora primordial: pulsava, marcava ritmos, transformava sons em linguagem e convertia melodias em gestos travestidos de visualidades. No Brasil, a história da educação musical também narra os destinos desse corpo sonoro, individual e coletivo, ora acolhido, ora moldado ou silenciado por políticas educacionais e projetos de colonização cultural. Entre a execução técnica e a invenção poética, o corpo foi, em certos contextos do ensino formal, reduzido a mero reprodutor de malabarismos sonoros, obscurecendo sua potencialidade como protagonista de experiências criativas, capaz de produzir e vivenciar musicalidades.

No contexto educacional brasileiro, a organização curricular tem sido marcada por uma estrutura segmentada e desarticulada. Grande parte dos currículos escolares e até mesmo universitários são concebidos como compartimentos fechados, isolados, desiguais e distantes das realidades sociais, produzindo uma formação insatisfatória para os alunos e futuros professores, deixando-os despreparados para lidar com as práticas educacionais que exigem constantemente competências articuladas e muita criatividade. Segundo Morin (2008),[11] a produção de conhecimento tem sido caracterizada por uma fragmentação excessiva em disciplinas especializadas, alicerçadas em pilares da ordem, da separatividade, da razão e da desconsideração da subjetividade, ignorando a complexidade e a interdependência dos fenômenos estudados. (Figura 2)

Figura 2. Coral Universidade Federal do Ceará. Espetáculo Menino.
(Foto: Waleska Santiago. Acervo CORALUFC)

 

Diante das demandas contemporâneas, intensificadas pelos ambientes virtuais e pelas tecnologias digitais, os educadores de arte, especialmente os professores de música, são desafiados a articular teoria e prática de forma contextualizada e socialmente significativa, promovendo conexões entre saberes vitais e saberes disciplinares, acadêmicos e não acadêmicos.[12] Nesse horizonte, a didática e as ações pedagógicas demandam uma abordagem que integre estratégias de aprendizagem diversas, orientadas ao desenvolvimento de competências técnicas, afetivas e criativas, organizadas a partir do que entendemos como três pressupostos orientadores para uma epistemologia do sentir.

O primeiro pressuposto orienta a compreensão da aprendizagem como experiência efetivamente significativa. Nessa perspectiva, o professor atua como mediador e o aluno como sujeito construtor do conhecimento, entendendo a experiência como um território de passagem sensível, no qual o que acontece afeta, produz afetos, inscreve marcas e deixa vestígios, conforme propõe Bondía (2002).[13] Trata-se de um sujeito “ex-posto”, atravessado pelos acontecimentos e transformado por eles.

O segundo pressuposto refere-se à atualização das práticas educativas não apenas para responder às demandas de um mundo digital midiatizado, mas também para instaurar ações no mundo físico e concreto, capazes de equilibrar o uso excessivo de ferramentas virtuais. Nesse contexto, o encontro assume papel central. Para Perissé (2016),[14] ele constitui um campo de “jogo” e de intercâmbios enriquecedores, no qual se experimenta a liberdade e se amadurece humanamente.

 

“Toda sonoridade — do canto à percussão, do corpo às tecnologias — nasce conectada a formas plurais de perceber e recriar o mundo.”

 

O terceiro pressuposto reflete sobre modos de conduzir experiências musicais e artísticas que ampliem as competências profissionais de artistas-pesquisadores-docentes. Em diálogo com os anteriores, sustenta que tais competências se fundamentam na compreensão crítica das novas tecnologias, na abertura às mudanças e na articulação de uma aprendizagem musical viva com outras linguagens artísticas, como teatro, dança, literatura, e artes visuais. Tal articulação desloca o ensino da música de um campo isolado para um território de confluências, no qual a criação emerge do diálogo entre diferentes modos de expressão.

De acordo com a Lei nº 13.278/2016,[15] que consolida o ensino de artes como componente curricular obrigatório da educação básica, reforça-se a necessidade de uma postura interdisciplinar no âmbito escolar. A aprendizagem musical passa a integrar aulas de artes que contemplam múltiplas linguagens, demandando dos professores uma atuação plurissemiótica. Nesse contexto, a prática docente implica em um compromisso contínuo com a construção do que Bondía (2002) [13] define como “experiência/sentido”, ou seja, a atribuição de significado ao que somos, ao que nos acontece e à maneira como nos posicionamos diante de nós mesmos, dos outros e do mundo. A reorganização dos saberes musicais, orientada por novas dinâmicas educativas, implica compreender o conhecimento musical como parte de “redes de criação para a construção de obras de arte”.[16]

Nesse horizonte, propomos caminhos didáticos transdisciplinares que articulam apreciação, composição e interpretação, tomando como eixo um corpo/coro criativo e considerando, a priori, sete “formas de representação de sentidos”.[17] Tais formas emergem de elementos que estruturam as obras de arte, a partir de emoções e memórias, permitindo a expressão pela: criação de sonoridades por meio da voz, do canto e da percussão corporal; criação de textos através da palavra falada; criação de movimentos por gestos e cinesia; produção de visualidades por meio de materialidades vestíveis; organização de espaços e relações corporais; integração de tecnologias de representação multimodal; e pelo desenvolvimento da espiritualidade como conexão com valores existenciais, interligando às demais formas de representação de sentidos. Podemos ainda mencionar duas formas pouco exploradas na contemporaneidade: a criação de sabores, através da gastronomia, e a criação de aromas, via arte olfativa.

Para sustentar essa abordagem, postulamos o corpo/coro como fonte principal da expressão artístico-musical. Eymess (2016) [18] define o “coro” como um coletivo que, ao mesmo tempo, atua como agente unitário e comunica uma ação conjunta. Assim, o termo é empregado para caracterizar a representação coletiva de múltiplos corpos em expressão. A concepção de corpo/coro como elemento central poiético – termo que deriva do grego antigo poiētikos, que significa criativo –  emerge, ainda, como resposta a contextos escolares brasileiros frequentemente marcados por precariedades estruturais, especialmente nas aulas de música, nas quais a escassez de instrumentos evidencia a necessidade de práticas criativas ancoradas no corpo como matriz expressiva compartilhada.

Uma abordagem didática para o desenvolvimento de um corpo/coro criativo também pressupõe o acolhimento de dinâmicas e vivências que contenham estímulos para evocar a atividade cognitiva dos alunos a partir de seus discursos interiores, fazendo-se uso de dispositivos concretos estruturantes para a expressão de suas experiências pessoais e em grupo. Para tanto, jogos e vivências que envolvem não somente a música, mas também outras formas de expressão artística, podem ser sobrepostas e, ao mesmo tempo, transversais com o intuito de incentivar a interação entre as diferentes formas de linguagem e potencializar a criação de significados próprios e, ao mesmo tempo, coletivos em uma experiência de arte viva.

Face à carência de abordagens dessa natureza, que integrem a aprendizagem musical às demais artes, especialmente no que se refere à sistematização de ferramentas artístico-pedagógicas, seus conteúdos, objetivos e organização das vivências, sugerimos revisitar contribuições de artistas-educadores, que em suas trajetórias, apontaram perspectivas interdisciplinares ressignificando seus conteúdos e métodos para tornar a aprendizagem de um corpo/coro musical abrangente e integrada, em uma perspectiva transdisciplinar junto às demais linguagens artísticas. Alguns exemplos são as noções de “Domínio do Movimento”,[19] o processo de “Contato Improvisação”,[20] as práticas de Educação Somática [21] e os “Six Viewpoints” [22] favorecem uma percepção relacional do corpo consigo, com o outro e com o espaço. Na dimensão vocal, a redescoberta da voz, inspirada na Escola do Desvendar da Voz,[23] convoca o “esquecido sentido da escuta”, abrindo caminhos para uma vocalidade inventiva e expressiva, em diálogo com a “combinação de fonemas como sugestão de sonoridade”.[24] As contribuições de Nketia (1974) [25] ampliam a compreensão dos sistemas rítmicos implícitos e das categorias cognitivas da percussão africana a partir de códigos musicais não eurocêntricos. Na palavra, Bakhtin (1999) [26] e Zumthor (1993) [27] nos lembram que o pensamento se torna sensível quando ganha o som das palavras. No campo visual e espacial, Barthes (2009) [28] lê o vestuário como linguagem, enquanto Oiticica (apud FAVARETTO, 2000) [29] e Marinho (2020) [30] instauram experiências participativas de vestir, habitar e criar espacialidades.

A razão pela qual propomos a noção de caminhos didáticos transdisciplinares de aprendizagem musical a partir de um corpo/coro criativo reside na escassez de estudos que articulem a música às demais linguagens artísticas. Essa lacuna aponta para a necessidade de didatizar ferramentas artístico-pedagógicas capazes de sustentar práticas inter e transdisciplinares, organizando conteúdos, objetivos, modos de enunciação, sequências de vivências e critérios de avaliação. Encontrar tais ferramentas implica reconhecer dispositivos que ampliam competências comunicativas por meio da expressão pessoal e coletiva, situando o corpo/coro criativo como fonte central de criação e de representação de sentidos, mediando a transmissão e a ressignificação de afetos, pensamentos e modos de agir na experiência artística compartilhada. (Figura 3)


Figura 3. Coral Universidade Federal do Ceará. Espetáculo D´água.
(Foto: Juliana Campelo. Acervo CORALUFC)

 

O que permanece em jogo

À luz de caminhos didáticos transdisciplinares, compreender a trajetória da educação musical torna-se condição essencial para enfrentar os desafios do presente. Em meio à enxurrada de dados das redes, da internet e da inteligência artificial, o corpo/coro criativo afirma-se como resposta sensível e crítica, convocando uma virada cultural que relativiza as fronteiras entre ciência e arte. A música segue a florescer no cotidiano escolar: não como um conteúdo teórico a cumprir, mas como experiência que atravessa o dia e faz da escola um lugar no qual o corpo, a imaginação e o afeto transitam em harmonia, revelando melodias, ritmos, gestos, cores, palavras, dimensões, imagens, espiritualidade e intimidade com os espaços da vida.

 

Capa. Coral Universidade Federal do Ceará. Espetáculo Menino.
(Foto: Waleska Santiago. Acervo CORALUFC)

 

Ciência & Cultura © 2022 by SBPC is licensed under CC BY-SA 4.0  
[1] MAGELA, André Luiz Lopes. Da artesania teatral à produção de subjetividade: educação e agenciamento em tempos de catástrofe. São Paulo: Hucitec, 2023.
[2] SILVINO, Izaíra. Ah, se eu tivesse asas. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2007.
[3] SALES, Andrea de Lima Ribeiro. A escola para índios no Rio de Janeiro: o que dizem os anos de 1845 a 1875. Tese (doutorado em Educação) – Universidade rural do rio de Janeiro, Seropédica, 2021. 25 p. Disponível em: https://rima.ufrrj.br/jspui/bitstream/20.500.14407/9927/3/2021%20-%20Andrea%20de%20Lima%20Ribeiro%20Sales.pdf. Acesso em: 23 nov. 2025.
[4] PEREIRA, Marcus Vinícius Medeiros. Licenciatura em música e habitus conservatorial: analisando o currículo. Revista da ABEM, Porto Alegre, v. 22, n. 32, p. 90-103, jul. 2014. Disponível em: https://abem.emnuvens.com.br/revistaabem/article/view/464/388. Acesso em: 20 nov. 2025.
[5] LEMOS JÚNIOR, Wilson. O ensino do canto orfeônico na escola secundária brasileira (décadas de 1930 e 1940). Revista HISTEDBR On-line, Campinas, v. 11, n. 42, p. 279-295, mar. 2012. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639880. Acesso em: 1 dez. 2025.
[6] COSTA, Michele Cristine da Cruz. O pensamento educacional de Célestin Freinet e suas aproximações aos ideais do movimento da escola nova. 2008. 160 f. Dissertação (Mestrado em Educação Escolar) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras, Araraquara, 2008. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/e91221c7-0e6d-4a8f-8f95-562fdf586f3f/content. Acesso em: 19 nov. 2025.
[7] NASSIF, Silvia. Educação musical no Brasil: aonde chegamos, para onde vamos. Epistemus, La Plata, v. 10, p. 1-15, 2022. Disponível em: https://sedici.unlp.edu.ar/handle/10915/139664. Acesso em: 30 nov. 2025.
[8] FIGUEIREDO, Sérgio Luiz Ferreira de. A educação musical do século XX: os métodos tradicionais. In: JORDÃO, Gisele et al. (org.). A música na escola. Brasília: Allucci & Associados Comunicações, 2012. p. 85. Disponível em: https://www.academia.edu/8020209/MINIST%C3%89RIO_DA_CULTURA_E. Acesso em: 20 nov. 2025
[9] JAQUES-DALCROZE, Émile. O ritmo, a música e a educação. Tradução de Rodrigo Batalha et al. Rio de Janeiro: UFRJ, 2023. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/21526/3/O%20ritmo%20a%20musica%20e%20a%20educacao.pdf Acesso em: 3 dez. 2025.
[10] SCHAFFER, Raymond Murray. Patria: the complete cycle. Toronto: Coach House Books, 2002.
[11] MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 4. ed. Tradução de Eliane Lisboa. Porto Alegre: Sulina, 2008.
[12] MENDES, Paulo Corrêa. “Trans-formação” por práxis dialógica artística: uma estratégia didática transdisciplinar na formação docente à educação profissional. Revista Terceiro Incluído, Goiânia, v. 5, n. 1, p. 163-188, jan./jun. 2015. Disponível em: https://revistas.ufg.br/teri/article/view/36355. Acesso em: 27 nov. 2025.
[13] BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, jan./abr. 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 20 nov. 2025.
[14] PERISSÉ, Gabriel. Encontro e literatura em Alfonso López Quintás. Revista Internacional d’Humanitats, São Paulo, v. 37, p. 83-90, maio/ago. 2016. Disponível em: http://www.hottopos.com/rih37/83-90Gabriel.pdf. Acesso em: 1 dez. 2025.
[15] BRASIL. Lei nº 13.278, de 2 de maio de 2016. Altera o § 6º do art. 26 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que fixa as diretrizes e bases da educação nacional, referente ao ensino da arte. Diário Oficial da União, Brasília, 3 maio 2016. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13278.htm. Acesso em: 22 nov. 2025.
[16] SALLES, Cecília Almeida. Redes da criação: construção da obra de arte. São Paulo: Horizonte, 2006. Disponível em: https://www.academia.edu/8423541/REDES_DA_CRIA%C3%87%C3%83O_constru%C3%A7%C3%A3o_da_obra_de_arte. Acesso em: 3 dez. 2025.
[17] CAVALCANTE JUNIOR, Francisco Silva. Por uma escola do sujeito: o método (con)texto de letramentos múltiplos. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2001.
[18] EYMESS, A. H. A música do coro/corpo brasileiro: uma etnografia do espetáculo Abraços. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2016. 228 p.
[19] LABAN, Rudolf; ULLMANN, Lisa. The mastery of movement. London: MacDonald & Evans, 1960.
[20] PAXTON, Steve. Contact Improvisation. The Drama Review, Cambridge, v. 19, n. 1, p. 40-42, mar. 1975.
[21] SOTER, Silvia; DUBEUX, Theo. Corpo aceso: experiências em educação somática para bailarinos e não bailarinos. Rio de Janeiro: Funarte, 2009.
[22] BOGART, Anne; LANDAU, Tina. The viewpoints book: a practical guide to viewpoints and composition. 1. ed. Tradução de Sandra Meyer. São Paulo: Perspectiva, 2017.
[23] WERBECK-SVÄRDSTRÖM, Valborg. Die Schule der Stimmenthüllung: Ein Weg zur Katharsis in der Kunst des Singens. Donarch: Philosophisch-Antroposophischer Verlag, 1969.
[24] LEITE, Marcos. Canto popular brasileiro para vozes médio-agudas. Rio de Janeiro: Lumiar, 2001.
[25] NKETIA, J. H. Kwabena. The music of Africa. London: W. W. Norton & Company, 1974.
[26] BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 9. ed. Tradução de Michel Lahud; Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 1999.
[27] ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz: a “literatura” medieval. Tradução de Amálio Pinheiro e Jerusa Pires Ferreira. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
[28] BARTHES, Roland. Sistema da Moda. Tradução de Ivone C. Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
[29] FAVARETTO, Celso Fernando. A invenção de Hélio Oiticica. São Paulo: Ateliê Editorial, 2000.
[30] MARINHO, Claudia. Corpecendo: Vestir-se e criar espacialidades in-comuns. DAT Journal, São Paulo, v. 5, n. 4, p. 213-230, 2020. Disponível em: https://datjournal.anhembi.br/dat/article/view/291. Acesso em: 17 dez. 2025.
Erwin Schrader é professor doutor titular do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico da Universidade Federal do Ceará. Atua na área de Educação Musical e Artes, com ênfase em canto coral, expressão corporal, percussão brasileira e letramento musical, desenvolvendo pesquisas em práticas artísticas transdisciplinares no contexto escolar.

Compartilhe:

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
PALAVRAS-CHAVE
ARQUIVO MENSAL
CATEGORIAS