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SBPC convida candidatos a se comprometerem com propostas embasadas na Ciência

Apresentada na 78ª Reunião Anual da SBPC, publicação “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos” reúne 117 propostas para o Brasil

Um dos objetivos das Reuniões Anuais da SBPC é aproximar a Ciência da vida política do País. Além da participação de representantes dos poderes Executivo e Legislativo, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, a 78ª Reunião Anual da SBPC convidou pré-candidatos das próximas eleições a conhecerem as propostas da comunidade científica e a se comprometerem com o setor.

“A SBPC é uma entidade que trabalha com a vida política brasileira, ela tenta articular com os poderes Executivo e Legislativo. Marcamos um encontro nesta Reunião Anual para conhecermos candidatos que se comprometam abertamente com a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) e com a Educação”, explicou o presidente de honra da entidade, Ildeu Moreira.

Na programação, realizada no dia 31 de julho, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, a entidade apresentou e distribuiu cópias da publicação “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, que reúne um conjunto de 117 propostas que busca integrar conhecimento, diagnóstico, evidências e políticas públicas em prol do País.

A publicação nasce do ciclo “Vozes da Ciência”, um calendário de 13 debates realizados pela SBPC entre os meses de novembro de 2025 e maio de 2026 e que almejou refletir sobre diferentes panoramas do Brasil, como políticas educacionais, meio ambiente, caminhos para a inovação, saúde pública e geopolítica global, cultura, entre outros. A ideia é que cada discussão partisse de contextos nacionais e impulsionasse caminhos propositivos, que foram compilados no caderno.

“Nós temos dados e ideias que foram sintetizados nesta publicação. Com eles, desenvolvemos 117 propostas em sete grandes eixos, que solicitamos aos candidatos que analisem em seus projetos”, complementou a vice-presidente da SBPC, Soraya Smaili.

Os sete eixos temáticos são: 1) CT&I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância. Cada eixo foi pensado como uma agenda crítica que o Brasil precisa seguir, e seus agrupamentos foram idealizados para que as pessoas consigam localizar melhor as informações, conforme os temas que lhe interessem.

“Obviamente sabemos que cada candidato tem um tema ou área majoritária de atuação, como meio ambiente ou saúde, por isso fizemos esse recorte entre temáticas centrais”, explicou Smaili.

Além dos recortes por eixos, o caderno “Vozes da Ciência: O Brasil que Queremos” apresenta 13 propostas críticas e mais urgentes para o País. A primeira é a aprovação de um mecanismo constitucional de proteção orçamentária para o setor de CT&I. Esse mecanismo garante o aumento gradativo de investimentos federais, com meta de se alcançar o investimento de 2% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) até 2030, somando recursos públicos e privados. Na publicação ainda é ressaltado que somente com essa proposta é que as demais sairão do papel.

Já o segundo ponto é garantir a plena execução do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), assegurando que o Fundo não terá mais contingenciamentos, como ocorreu no passado, e que seus recursos serão repassados integralmente para as agências de fomento à pesquisa.

Por fim, ainda na linha orçamentária, o terceiro ponto é o reconhecimento da pós-graduação como trabalho científico, com uma proposta de reajustar em 45% das bolsas, com indexação ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Os candidatos que se comprometerem publicamente com o documento propositivo poderão assinar um termo de consentimento. A lista de todos os candidatos alinhados com as políticas de Ciência estará disponível no Observatório das Eleições 2026, iniciativa que a SBPC lança esta semana em seu portal. “Vamos divulgar os candidatos de qualquer partido que se comprometam com esses valores”, destacou Ildeu Moreira.

Conheça a publicação “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”

 

Ciência e política

O evento de apresentação do caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos” contou com a participação de diferentes pré-candidatos às eleições 2026. São eles: os candidatos a deputado federal Nísia Trindade, Luciana Gatti, Celso Pansera, Jandira Feghali, Reimont, Tatiana Roque e Juliana Benicio, além da candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro, Lilian Behring.

Para Tatiana Roque, a integração entre Ciência e política se faz necessária no âmbito de defender os direitos da carreira acadêmica e da produção de conhecimento. “A participação de cientistas na política tem muita importância, especialmente na Câmara dos Deputados, que é o cargo que estou disputando no momento. O Congresso Nacional possui uma representação forte do agronegócio, empresas, religiosos conservadores e foi um dos principais empecilhos para que o presidente Lula pudesse avançar com uma agenda soberana do país. Uma cientista no Congresso Nacional é essencial para defender pautas de proteção e fomento à pesquisa, mais orçamento para a universidade, que não tem recebido os recursos adequados para garantir o seu processo de democratização, expansão e permanência da juventude negra e popular.  O parlamentar tem papel decisivo em acompanhar e fiscalizar o orçamento e pode defender recursos para Capes, CNPq, bem como uma política estruturante de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Brasil.”

Candidato à reeleição, o deputado Reimont destacou o pedido realizado pelo presidente Lula na 78ª Reunião Anual da SBPC, no qual acionou a comunidade científica para elaboração de um plano de prioridades do setor. “A Ciência é essencial para construir políticas públicas que melhorem a vida das pessoas. Por isso, é fundamental que haja representantes comprometidos com a pesquisa, com as universidades públicas e com a valorização das servidoras e dos servidores públicos que produzem conhecimento e fazem o Estado funcionar. O presidente Lula pediu à presidente da SBPC um projeto de ciência para o Brasil para os próximos 10 anos. Isso é sustentar a soberania. Defender a ciência é defender um Brasil mais justo, desenvolvido e democrático.”

Além da importância da Ciência, a candidata Luciana Gatti defendeu a participação de cientistas nos ambientes políticos, principalmente no combate ao negacionismo climático, já que muitos tomadores de decisão do poder Legislativo não têm conhecimento técnico na área, e suas decisões podem afetar milhares de pessoas.

“O que percebo é que nós [cientistas], que estamos produzindo este conhecimento, temos mais clareza e entendemos a urgência de defender uma mudança nas decisões. As mudanças climáticas exigem uma mudança muito grande de amplo espectro: na maneira como plantamos, produzimos alimentos, energia, construímos nossas casas, cidades, como consumimos… Enfim, chegamos a este ponto de eventos extremos porque estamos vivendo neste planeta de maneira errada! Temos um desafio enorme de mudanças e os políticos não estão abertos a estas mudanças! Hoje, o Congresso Nacional é, em sua maioria, negacionista. Então, o que resta pra quem tem consciência deste enorme desafio? Se colocar nos espaços de tomada de decisão! Este é o caminho que escolhi.”

Por fim, a candidata Juliana Benicio afirmou que defender a Ciência não é falar de uma área específica. “Ter apoiadores da Ciência na política não é sobre defender um setor — é sobre garantir progresso na economia do conhecimento. Como engenheira e pesquisadora, eu vejo isso todos os dias: o Brasil tem capital humano e natural extraordinários, mas historicamente falha em transformar esse potencial em prosperidade devido à falta de apoio concreto em infraestrutura científica. Isso acontece porque, em muitas mesas de decisão, falta gente que entenda de dados, de inovação, de metodologia científica. Quando a Ciência não tem voz no parlamento, nem no orçamento, perdemos a capacidade de fazer políticas públicas e de nos reposicionarmos com maior protagonismo na economia do século XXI.”

A reportagem procurou todos os candidatos presentes no evento e inseriu os depoimentos recebidos até o fechamento deste texto. O texto será atualizado à medida que outras respostas chegarem.

Todos os candidatos que se comprometerem com o documento “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos” e, consequentemente, com a importância das políticas científicas, serão publicados no Observatório das Eleições 2026.

Rafael Revadam – Jornal da Ciência

 

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